domingo, 21 de novembro de 2010

O Soneto da Barbárie



O menino clamou pelo dinheiro
Sua fome era fome verdadeira
De matar o desejo traiçoeiro


E matando jogou-se por inteiro
Embaçado com o canto da sereia
Que berrava o seu grito feiticeiro


Nos limites das estreitas corredeiras
O menino que é filho sem ter pai
No gatilho o seu medo subtrai
Invisível já não mais nas prateleiras


Caminhando e vivendo sorrateira
Pelas ruas caóticas do consumo
Sua alma divaga sem ter prumo
Vai matando e morrendo até a feira

Wescley Pinheiro