quinta-feira, 25 de novembro de 2010

O Dono


Andava sempre ligeiro

Não era pobre, nem nada

Mas achava acabada

A vida no estaleiro

Queria ter um veleiro

E sair numa jornada

Ter luxo, ir pra noitada

E viver como um banqueiro

Ir pro jogo e dá cartada

Mas só não tinha dinheiro


Cansou de ser justiceiro

Queria os louros da glória

Os discursos da vitória

Comprar um belo terreiro

Pra os amigos interesseiros

Invejar suas memórias

Queria não ser escória

Fazer seu próprio roteiro

Ser dono de sua história

Mas só não tinha dinheiro


Então virou bandoleiro

Perdeu o sonho e o sono

A primavera e outono

Em busca do financeiro

Transformou-se em traiçoeiro

Pra poder subir no trono

Não conseguiu seu abono

E sumiu sem paradeiro

Do dinheiro não foi dono

Mas seu dono era o dinheiro


Wescley Pinheiro