sábado, 7 de maio de 2011

Primeiro Ato - O Bilhete



Caro Eduardo,

Passei dias tentando entender o que se passava por suas vísceras espirituais, aquelas veias invisíveis e capilarizadas no marasmo tão característico de suas idiossincrasias.

O momento de rara tonalidade revelou apenas o quão a penumbra e o barulho das ondas denunciavam o poder mordaz da sua maneira de desejar perfurar o peso do ar com a contraditória fantasia do silêncio.

Não me entenda mal. Peço-te que não perceba isso como uma cobrança, pois não há má fé em minhas palavras pueris. Muito menos teria a petulância de ousar lograr diagnósticos por meio de relatos e recortes, onde só pude presenciar as piores partes.

Há aqui uma mera visão. Um conselho (se isso fosse possível) ou mesmo uma trivial constatação. Nesse pequeno pedaço de papel vai o resultado de horas de divagações sobre o nada que foi presenciar sua ausência e desatenção.

O silêncio não é indiferença, não é mera omissão. O silêncio é um ato, uma atitude de recuo. Saiba, rapaz, o silêncio não é indiferença, é somente covardia.