terça-feira, 24 de maio de 2011

Campo

Não há mais cantigas
Nem fogão a lenha
Nem o assobiar dos pássaros
As cores dissolvem sob o silenciar

O verde acinzenta
O cinza avermelha
E amarela a estrofe
Que sucumbe, ajoelha

Estopins, estilhaços
Por felpas, por galhos
Pergunto-me até quando
Questiono-me atônito

E nesse descampado
O silêncio é quebrado
Por sons de motosserras
Por roncos de máquinas

Vejo tratores e detratores
Penso nas mentes e nas sementes
Olho as tiras e as mentiras
E novamente me pergunto:

Terra, por que és sem lei?




em memória de Dorothy,Zé Maria,Zé Claudio,Rose e tantos outros 




Wescley P.