quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Sobre o suicídio

Quantos dedos que estiveram em riste
Não puxaram o gatilho
Mas encerraram o julgamento?
Quantas mãos que a tocaram sob o medo
Esconderam suas digitais
No desespero e no cinismo?
Quantas palavras incrédulas sufocaram seu ar
Engasgaram na moral
E voltaram como dor?

Pelo seu punho
A força do outro
Pelo seus pés
Os pisões dele
Pela sua voz
O grito interrompido por todos
E então um voo violento
Por aroma de paz
E migalhas de liberdade

Quantos passados ainda vão mentir?
Quantos silêncios ainda vão matar?
Quantos cúmplices de um crime sem autor?
De carícias sem amor
De criminosos reais