sábado, 2 de março de 2013

Ostracismo Preventivo

O bichinho da vaidade estava lá e ainda mais cínico. No entanto, não foi por inveja, mas por medo ou por pura crueldade que tudo aconteceu.

Mergulhado no marasmo, o sujeito sabia que os seus Caetanos, Gils e as grandes gravadoras já estavam por aí exercendo seus papéis. Enquanto o tempo se arrastava, ele ainda aguardava com fé o aparecimento do David Bowie de seu Tom Zé.

Era justo esperar. Pois o maior problema dessa história não era o fato de que nenhuma das personagens tinham o talento e a genialidade de Caetano, Gil, Bowie e muito menos de Tom Zé. A analogia presente surgiu desprovida de qualquer tom pretensioso, ela apareceu  mais por resignação do que por resiliência, muito mais por esperança do que por certeza e essa questão se resolveria indubitavelmente com o recurso da proporcionalidade.

O problema maior é que o sujeito não conseguiu sequer ter o seu “Estudando o Samba”. Não se sabe se isso ocorreu por incompetência, distração ou coisa parecida ou se de fato a ordem dos fatores modificou o produto, visto que, nesse caso, o processo se deu a partir de algo novo, como muitas novidades antigas, muito mais cruel e eficaz: o ostracismo preventivo. As minas, alçapões e afins se espalharam como prevenção. Elas foram engenhosamente aplicadas mais nas potências que nos atos, armas silenciosas como antes, mordazes como antes, mas com muito mais precisão e intensidade... povo eficaz esse da contemporaneidade!

E quanto ele torcia, ciscava, sofria, cantava: “Ah! Se maldade vendesse na farmácia, que bela fortuna você faria com esta cobaia que eu sempre fui nas tuas mãos...