quarta-feira, 4 de junho de 2014

Elogio da Ira

Toda vez que ela chega o meu espírito se acende, os sentidos aguçam, a coragem aparece e minha mente trabalha como nunca. Há quem diga que é o amor, há que fale que é a fé, outros, a convicção, mas em mim sempre foi a raiva o melhor combustível.

Amor, fé, convicção, tudo isso é fundamental. Mas a raiva é o tempero que compõe o sabor da batalha, a substância da indignação, o elemento que desenvolve em mim uma vontade essencial de superação. Não estou falando do ódio, daquilo que corrói a alma, de um sentimento irracional, cego e que apenas destrói. Estou falando daquilo que faz ranger os dentes, arregalar os olhos e romper  as barreiras, desafiar o status quo e provar que algo é possível. Falo de uma raiva produtiva que consome o corpo, faz os pés caminharem mais rápidos e as mãos trabalharem melhor.

Há amor dentro da raiva, há fé e convicção também. Amo a justiça, sinto raiva da desigualdade, tenho fé na vida e que a ética é o melhor caminho e raiva dos opressores e suas posturas desonestas, sou convicto de que só a luta muda vida e sinto raiva de todos os obstáculos que aparecem no percurso. A raiva é essencial, a cólera que transcende e sucumbe à covardia diante da tirania que nos ameaça, a ira que salta aos olhos diante do desejo de destruição que o outro destila, a atitude, o pensamento, uma sede inexorável de uma batalha justa e de uma glória necessária.

O ódio é maldição, o medo é veneno,  a convicção, uma arma. A raiva é produtiva. Sempre rendi com ela, sempre realizei mais e melhor. Ela é o combustível que aquece o meu sangue, catalisa minha criatividade e me faz vencer. Se meus desafetos soubessem o quanto eu produzo com raiva viveriam me fazendo cafuné.