sábado, 14 de junho de 2014

A Farra do Menino Mimado em 12 de Junho


É dia de alegria, mas o menino mimado quer mostrar que é rebelde. Mesmo todo engomadinho, certinho, com seu liso cabelo partido para o lado direito, o guri é sapeca, gosta  de ficar  junto com seus coleguinhas e pregar peças naqueles que estão ao redor. A insatisfação é sua brincadeira preferida e mesmo sendo costumeiramente cordial com seus coleguinhas, ele também é bastante boquirroto quando quer.  A ocasião parece especial para quem olha de longe, mas o menino vive mais um dia normal em sua vida, ele tem tudo o que quer nas mãos, embora viva eternamente insatisfeito.

Hoje é dia de festa, evento certeiro para as peripécias do menino, mas como a parte menos abastada da família não estará lá - foco principal de suas galhofas - o jeito é ter como alvo quem melhor lembra aquele pessoal que ele detesta, por acaso, a pessoa é justamente a sua tiazona que o mima sem parar e sempre esquece do resto da família. Esse comportamento, obviamente, só reforça a má educação do menino, mas a tiazona é boa e só quer agradar. A tiazona está sempre solícita, sorridente, tentando deixar o menininho feliz. Ela nem queria chatear os outros membros da família, mas "sabe como é, né, o menino quis, esse pessoal também é muito impaciente, não entende que ele é diferenciado, precisa de mais atenção".

O menino então chega à festinha que a tiazona ajudou a fazer, come o lanchinho que ela cozinhou para ele ficar feliz e então reclama. Ele adora reclamar. Enquanto isso, a tiazona faz de tudo pra agradar o menino, esse parente distante, riquinho e emburrado que quer ser rebelde. Do lado de fora, parte do resto da família está realmente “p da vida” com a falta de zelo que a tiazona não concentra nas coisas mais importantes para todo mundo dali, pois ela gastou muito dinheiro e trabalho com uma festinha boba só para tentar agradar esse menino mimado e mal educado e só as migalhas e os restos sobraram para toda a família. Essa festinha é de fato polêmica, gerou discórdia, mas a Tiazona não gosta que falem do menino, por isso deixou toda a parte chateada da família de fora da comemoração para não gerar mais problema.

A festinha está mais ou menos pronta. Com muita dificuldade, sob gritos do resto da família, mas sem nunca desistir, a tiazona faz a decoração, os brinquedos, o lanchinho como pode e não deixa ninguém chegar perto antes do menino, afinal, ele é a razão de tudo. Ainda sim, o menino rebelde, comendo, se divertindo e pulando xinga a tiazona! Ele está com raiva e diz que a festa está péssima, brada, chora e esperneia enquanto brinca no parquinho.

O menino xinga, mas não vai embora da festa, ele fala que os balões são feios, reclama que a comida está ruim, mesmo se empanturrando com a mesma. E exatamente na hora do discurso, naquele momento que a tiazona deixa todo o resto da família trancada do lado de fora só para o menino rebelde se divertir com os amiguinhos,  ele vai lá e manda um sonoro “vai tomar no cu” na cara da tiazona. Ela fica meio envergonhada, pensa: "que coisa mais feia, menino", porém, o mal educado não se importa, pois ele quer mostrar para os amiguinhos que pode humilhar quem lhe serve e que é um garoto reclamão, exigente e capaz de ser ainda mais descontente do que o resto da família que está chateada do lado de fora. O menino é mimado, quer mostrar que é rebelde e faz isso na frente dos coleguinhas, sob constrangimento e posterior sorriso de sua bondosa tiazona. Sim, ela sorri. A tiazona é legal, pelo menos para o menino.

E assim, o menino e a tiazona vivem e continuarão vivendo sua relação quase promíscua, envolta de tapas, beijos, xingamentos, favores, subserviência e falta de agradecimento. O menino mimado gosta mesmo é de xingar e a tiazona parece gostar de ser xingada. “Oh menino sapeca, parece que nunca está satisfeito, quer um cafuné?”.