segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Diário de supermercado 2: Laticínio ostentação




Adoro queijo. Difícil é ter que decidir entre pagar a conta de luz ou comer alguns pedacinhos durante a semana. No velho-oeste queijo deve ser coisa rara. Não importam as centenas de milhares de cabeça de gado que existam por aqui e suas dezenas de bilhares de litros de leite: comer queijo é sinal de status. A sociedade se divide entre os poucos que tomam seu café e podem luxar sua fatia de cheddar no pão e aqueles da absoluta maioria que sonham com tal regalia. Esse abismo do consumo é cada vez maior.

Chego ao supermercado e salto ao constatar o preço novamente.  Eu até já saiba, mas me chocarei sempre. Fico ali encarando a variedade do alimento branco-amarelado, gorduroso e bonito, imagino ele derretendo em meu grill, numa pizza ou ainda numa lasanha... Olho no olho dos cifrões, calculo a perversa equivalência entre o valor daqueles gramas fatiados e um quilo, recordo os saborosos, baratos e caseiros laticínios lá do Vale jaguaribano, trinco os dentes e... é hora do choque de realidade! Vamos lá, é preciso ser pragmático. Paro e já penso qual o dia do mês será o dia da mozzarella e qual o do queijo coalho, momentos especiais, nos outros dias uma colher de requeijão (no máximo). 

Tempos difíceis onde o misto quente é uma iguaria vendida a peso de ouro. Hoje mesmo que acordei inconsequente, fui à padaria e comi um. Ostentação total no melhor estilo classe média assalariada. Saí de lá com a barriga cheia (nem tanto), o bolso vazio e a consciência pesada. Quem pode, pode, pelo menos por enquanto. Se continuar aumentando terei que vender meu rim pra comer uns pãezinhos de queijo da próxima vez.