terça-feira, 9 de maio de 2017

Amargura

É amargo
O tempero do tempo
Vai polvilhando mensagens
Ligações e encontros
Desbotando amizades
E apagando lembranças

Os novos sabores são ralos
No tempo de trabalho
O gosto do abraço
É temporário
O programa de fim de tarde
É solitário
E o encontro prosaico
Quase protocolar
A data comemorativa
A hora marcada de confraternizar

O condimento dos meses
E anos e décadas
Transformam convites
Em informes
Planos em desistências
Desejos em condescendência
E a pretensão despretensiosa de ágape
Uma refeição qualquer

É amargo
O tempero do tempo
Para a vida adulta
Resta o franzir da testa
E engolir em seco
Chamam isso de amadurecimento
Eu chamo de apodrecer