quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Ditado Popular

De questão pessoal
Em questão pessoal
A questão política
Enche o saco

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Boa nova

Entre metais e microchips
Telas e hidrocarbonetos
O tecido que encanta
Costura-se em matéria e som
Como o ronco das alfaias
Como a batida no couro
Lembrando que o coração
É o instrumento que anuncia
O ritmo da alegria
E a música da vida
Que embora eu não saiba tocar
Hoje eu posso sentir

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Ansiedade

O que sugere meu peito
E meu jeito de criança
Espectro que voa e avança
Que soa e não amansa

O que sugere meu jeito
E meu peito que se lança
Desespera  e desaspera
Quem espera sempre
Ânsia

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Alma

No realismo dos laços
Entrelaçado de sentidos
Tuas, tudo, traços

Mente

No otimismo das linhas
Um nevoeiro de sonhos
Lutas, listas, minhas

Face

No pessimismo dos nós
Um meme compartilhado:
Fosco, forca e foz

Prefixo

Se jogue
E jogue
Vença
Não responda
Convença
Não corresponda
Trague
E não se entregue
Vá pro diabo que o carregue

Na inquisição (pós) moderna
Um verso orna
O outro, hérnia
Vive querendo passar a perna
Negando tudo que herda
Perfeita performatividade
Pintando-se de novidade
Na mesma merda

sábado, 17 de dezembro de 2016

Estranho

Desconstruído
Desencanado
Despossuído e passado
Arrodiado de gente
Cacique e pajé
De uma tribo fantasma é

Liberto e libertinado
Descartando e descartável
Sorrindo, sorrindo, sorrindo
Pra todo lado

Rei de si
Rei de cio
Caminha convicto
E vazio

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Desconstrução

Em terra de coletivo
O egoísmo vivo
Grita por todos
Num rio de lama
Coberto por lodo

A liberalidade envolta de beijos
Na liquidez dos percevejos

No fiapo 2016

Chorei
Choraram
Lágrimas de gata de borralho
Traído
E julgado como louco varrido
Me varreram
Me rodaram
E com o rodo rodeei em vários
Ralos
Levei rasteira
Rastejei
Erraram comigo
E quando acertei
Repeti a máxima
Só sei que nada sei
Fui para o canto
Me desencantei
Perdi a fé
Descafeenei
Resisti
Re-existência
Reinventei
Inocência
E quando estava convicto
Novamente me vi
Aflito
Mas agora diferente
Cantarolei
Hino sente mente
Sorri, bebi, beijei
Recuperei a fé
Me infernizei
Vivi, aprendi, mordi a língua
Me vi traído
Pelo meu medo
Não dei ouvidos
Ouvi desejos
Me alegrei
Tinha sentido
Então amei
Vivi, aprendi, enfrentei
As Más línguas
Matei a dor com a cor mais linda
Cantei, escrevi, gozei
E no meio da euforia
Novos aprendizados
Sem nostalgia
Aprendi dados
Sorte, perdas, finitude,
Cresci, amadureci, amiúde
Doze meses, uma vida
Retrospectiva
Plenitude
Vivi, vivo, viverei
Derrubando muros
Cantando, sem canto, cantarei
Que venha o futuro
Tempo-rei

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Como é a vida

A loja virtual de camisetas
Vende um dos seus produtos com a estampa:
A VIDA NÃO É SÓ BOLETO
A camiseta custa setenta e nove reais

A loja aceita cartão

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Escrevo

Ora agravo ora agudo
Ora soldo ora saldo
Ora surdo

Olho o olho
Nove naves
Malho o molho
Chove chaves
Bravo e breve

Ora grave ora greve
Ora gravo o que não se escreve

Jam Session

Ela sendo jazz
Eu sendo blues
Pintamos a vida em notas
E tons de azuis

Improvisando solos
Em dois
Corpos nus

Pleno

Tipo fazer amor amando
Tipo fazer amor de fato
Direito
Errado
Nato

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Fala sério, greve de novo?

Profa Vanessa C Furtado
Prof Paulo Wescley Maia Pinheiro
Prof Kader Assad
Em 2015 construímos a greve mais longa da categoria docente (4 meses e 22 dias), diante de um quadro crítico do ensino superior público no país. Naquele momento o governo optava pelo avanço dos cortes nas universidades, expressando as escolhas político-econômicas distantes dos interesses dos/das trabalhadores/as e próximas àqueles que buscam garantir as taxas de lucro em detrimento de qualquer direito.
Durante o processo de resistência que se espalhou pelas universidades de todo o país, alguns preferiram ficar como espectadores desse movimento, seja garantindo seus projetos individuais (continuidade das pesquisas, viagens, etc), seja de dentro de casa em frente ao seu computador. Muitos assistiram a greve de 2015 e ao serem convocados a retornarem à sala de aula, assim o fizeram, satisfeitos com seus 5.5% de “aumento” em agosto/2016 e 5% prometidos em janeiro/2017. Ainda que os anúncios de cortes no orçamento do MEC chegassem a 46%.
Dentro dessa parcela da comunidade acadêmica, seja pelo distanciamento dos debates e noção superficial de representatividade, ou  pela explícita discordância com o projeto de universidade pública, gratuita e socialmente referenciada, uma gama de argumentos, supostamente pertinentes, compunham o coro dos contrários a greve. Nessas assertivas, algumas questões se destacavam sem nenhuma novidade, já que, sempre retornam quando uma categoria toma como tática o movimento paredista, a saber: seria egoísmo/corporativismo pautar reajuste salarial no contexto de crise; seria preciso pensar outras formas de luta sem parar as atividades; e, a greve esvazia a universidade, não trazendo mobilizações massificadas para pressionar o governo.
No outro lado, atacada pelos setores conservadores dentro e fora da universidade, ignorada ou criminalizada pela grande mídia, duramente reprimida pela polícia nas manifestações e desconsiderada pelos governos, a parcela da comunidade acadêmica que se mobilizou naquele momento, via  suas reais pautas e seu histórico de diferentes formas de mobilização permanecerem invisíveis  para a grande maioria da sociedade.  
Nesse sentido, é preciso que desmitifiquemos algumas questões. Afinal, a greve teve como centralidade o reajuste salarial, não?
Não! É necessário recordar que, no momento da radicalização, várias universidades estavam com risco de pararem suas atividades por falta de verbas para questões básicas, como por exemplo, o pagamento de serviços terceirizados da limpeza (ponto revelador da privatização), cortes de bolsas, entre outros. O processo de desmantelamento das universidades era um projeto que se anunciava de modo explícito e progressivo como tática das escolhas econômicas e fiscais do estado.
Vale lembrar que quem tornou pública a falência das universidades como escolha política de governo, pressionando a abertura de contas das Instituições Federais de Ensino Superior – IFES –, mobilizando para que não se aumentassem os cortes e, pelo menos, jogando para o futuro os elementos mais amplos dessa desconstrução, foram, justamente, os setores em greve.
Dessa forma, se não houve avanço na pauta de correção dos salários de acordo com a inflação (e não de aumento salarial), se não se obteve êxito na mudança da carreira docente devastada em 2012, foram professores/as, técnico-administrativos e discentes que, mobilizados naquela greve, pressionaram para que houvesse condições mínimas de continuidade de funcionamento dos campi. Se por um lado, muitas reitorias estavam de “pires na mão”, por outro o processo de tensão consequente do movimento paredista não permitiu o aprofundamento dos cortes.  
Em 2015 o cenário posto para as IFES eram cortes que atingiram a casa dos 9 bilhões de reais, redução anunciada (pasmem!) pela equipe do então governo  Dilma – PT. Em setembro do mesmo ano a mesma equipe anunciou uma série de medidas de austeridade, conhecidas como “pacotaço”, prevendo vários cortes no orçamento da união. Em entrevista, o então ministro da Fazenda, Joaquim Levy, apela ao congresso nacional que votem os projetos de leis e PEC que tramitavam (e ainda tramitam) pela casa. Aqui, o então ministro, já faziam referências à PEC 241, agora PEC 55, bem como ao PLP 257 enviado diretamente do gabinete da presidenta Dilma.
Ao sairmos da greve, indicamos a necessidade da construção da unidade na luta para enfrentar e barrar a aprovação das referidas matérias no Congresso Nacional e Senado. Desde então, viemos trabalhando duramente para a construção dessa articulação ampla em todo país, realizando mesas de debates, atos públicos unificados, reunião com parlamentares, visita aos gabinetes na câmara em Brasília-DF.
O ANDES-SN e suas seções sindicais não pouparam esforços em realizar todas as outras formas de enfrentamento contra a aprovação dos projetos em tramitação e que representam a retirada de direitos historicamente conquistados, ou seja, um ataque direto a nós trabalhadoras/es. Assim, nunca se tratou de uma luta corporativista da categoria docente apenas por seus direitos.
A partir da retirada de Dilma da presidência, o agente executor, o ilegítimo Michel Temer, vem cumprindo e ampliando a agenda regressiva já anunciada desde o ano passado. O mais afrontoso ataque é a Emenda Constitucional 241/55 que altera a Constituição Federal, limitando os investimentos em Seguridade Social (saúde, educação e assistência social) aos índices inflacionários do ano anterior, índices esses indicados pelas agências do governo. A proposta que vincula os investimentos do Estado aos ditames do mercado e não aos interesses e necessidades da população faz parte de um pacote de ataques que perpassa a contrarreforma da previdência, a desconstrução dos direitos trabalhistas, o ataque ao pluralismo e ao debate crítico na educação, entre outros.
Diante desse quadro, a construção da Greve Geral da classe trabalhadora se afirma como elemento fundamental de pressão e visibilidade das pautas contra as necessidades presentes para a população. A conjuntura atual urge a pela paralisação da produção e reprodução para pressionarmos o governo e aqueles que o financiam. São igualmente urgentes: a ocupação das escolas, universidades, fábricas, corações e mentes diante dos retrocessos, do avanço do ódio, da intolerância e da desigualdade. Nesse sentido, a Greve não é para atrasar a formação dos discentes, mas, sobretudo, para garantir que ela ainda exista de forma pública e gratuita.
A urgência de reconstruirmos uma educação e uma vida com sentido não são pautas partidárias, revanchistas e nem corporativistas, mas tarefas do nosso tempo histórico, exigência para que a universidade seja um direito e não um privilégio ou mercadoria. E, assim, para que nossos/as discentes tenham direito a qualidade, que, quando formados, possam ter direitos como trabalhadoras/es, que possam almejar condições de trabalho dignas, estabilidade e qualidade de vida.
É fundamental que possamos desconstruir os equívocos de que o processo de mobilização radical é uma construção imediata e irresponsável. É imperativo mantermos as diversas atividades, atos públicos, tentativas de negociação e demais iniciativas ao longo desses meses. É inexorável frisar que nenhuma greve surge do nada e nem é construída sem sujeitos. Dessa forma, o histórico esvaziamento da universidade, apontado por alguns grupos, só será superado com a ampliação do número de pessoas que ocupem os espaços de mobilização. Devemos fazer desse processo uma construção coletiva, pedagógica e cidadã, demonstrando que seremos capazes de ensinar, aprender e construir conhecimento de modo crítico, combativo, autônomo e pleno de sentido diante de um quadro devastador para a educação.
O chamamento da greve e ocupação não é para a paralisação, e sim para a mobilização. Paralisados estamos quando permanecemos inertes, mergulhados em nossas atividades, assoberbados na precarização, na esperança que nossos projetos individuais sejam capazes de nos fazer superar as dificuldades. A convocação para a luta não é para o esvaziamento da universidade, é para sua ocupação real e popular, com aulas públicas, com atos, manifestações, com a nossa comunidade acadêmica ultrapassando nossos muros e mostrando a importância dessa instituição, abrindo as portas e o diálogo para com a população. Assim sendo, possibilitar uma construção pedagógica muito mais ampla do que a formação técnica para a empregabilidade, mas como elemento da formação humana, questão que deveria ser fundante da universidade.

Portanto, a construção da greve é tão dura quanto necessária! Não porque lutamos pelo corporativismo salarial, mas sim porque acreditamos que este é o instrumento que nos resta de resistência contra os ataques que o governo vem efusivamente empenhando contra os direitos da população brasileira. Vamos á luta!