sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

BIS


De um lado e de outro
Cortava-se e cortavam-lhe
Em ambos os lados
E de novo e de novo

Em versos dispersos
Caleidoscópicos
Os tópicos e os trópicos
Estremeciam
Em demasia

Saltavam, atuavam, recriavam
E respiravam
E de novo e de novo
E amavam e doíam
E choravam e sorriam
Em reinvenção

Quis
Nas cobertas das descobertas
Estas
E de novo e de novo
De um outro e de lado
Bis 

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Lágrimas, fantasmas e blues



“É mentira! É mentira!” sussurrava no ouvido da noite. Queria convencê-la de que não havia nada demais em ficar ali em meio ao seu caos particular, afogando-se no ar que adentrava por suas narinas queimando sua alma simplesmente por lembrar que estava vivo realmente.

 Os dedos da mão esquerda imitavam notas musicais em sintonia perfeita com a melodia da solidão e dos clichês trazidos pelo luar que insistia em aparecer mesmo com as nuvens carregadas sob seu reinado sombrio. O seu sussurro repetia-se junto com os três ou quatros acordes imaginados em descompasso com a voz sincopada, mas em aterrorizante harmonia com sua única testemunha,  aquela ali em cima dele e só dele (ao menos queria ele acreditar que fosse).

Aquele banco frio, o vácuo ao seu redor, a angustia, tudo era motivo para sua falta de motivos. Sentia um arrepio em sua espinha que o fazia repetir psicoticamente “é mentira, é mentira, porra!”. Sua mão direita segurava uma garrafa de gim, com todo o sabor horroroso que só essa bebida consegue ter. Sentia aquele gosto de derrota em cada gole e olhava para o lado, nada via. Olhava para o céu, sentia os pingos de uma tímida chuva cair, mas que não impedia a contínua presença da lua a rir de sua desgraça, a caçoar de seus toques no invisível e a confabular anedotas cruéis sob seus murmúrios desconexos.

Poderia ser apenas o passado lhe puxando como quem quer acertar as contas. Poderia ser o futuro cobrando-lhe e sugando-lhe por todas as suas indecifráveis, megalomaníacas e inconstantes expectativas sobre o que nunca iria se materializar. Mas não, ele sabia que se tratava de ambos, simbióticos, na intersecção do presente, naquilo ali que ele não sabia bem precisar, nem definir, que ele não conseguia encontrar razões, somente queixas, somente negações que se atiravam sob sua cabeça a fim de clarear alguns metros diante si próprio para que pudesse sobreviver àquela maldita solidão.

Vomitou algumas lágrimas, engoliu alguns pensamentos, pisoteou sensações que nem bem sabia adjetivá-las e ergueu a cabeça novamente. Após mais um gole percebeu que a noite não era assim tão escura.

Wescley Pinheiro

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

A Viagem


Era sua primeira viagem e mesmo assim resolveu ir só. Não queria ninguém ensinando o caminho, palpitando coordenadas, divagando possíveis certezas. Claro, ele bem sabia que existia o risco eminente de se perder, isso o excitava. Seu único temor estava na possibilidade de tropeçar em si mesmo no percurso, mas mesmo assim mergulhou.

Andou, correu,  sorriu, cansou. Sofreu, parou, pensou, chorou, dormiu, voltou... Estava confuso com relação ao trajeto, porém não reclamava, era assim mesmo que queria. O tempo o fez cair. Viu o chão.

Ao voltar, percebeu que mesmo abandonando sua casa, os seus bichos de estimação haviam sobrevivido. Os medos e os defeitos alimentaram-se do vazio. Seu cachorro estava morto.

Atônito, sussurrou: “Ainda bem...” 

Wescley Pinheiro

sábado, 15 de janeiro de 2011

Insônia



Observo o tubarão 
Sob o céu da madrugada
Enquanto eu nado
Ele, nada

                                           Wescley Pinheiro

Epitáfio


Endireitaram o  grande poeta
E agora reto
Nada resta 

                             
                                      Wescley Pinheiro

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

A Máscara



Sempre que sorria todos repetiam o ato, o inverso também era freqüente. Por mais que isso ocorresse, não compreendia como ninguém nunca havia conseguido ouvi-lo de fato.

Logo ele que gritava aos prantos um pedido quase desesperador de socorro. Justamente ele que fazia questão de dar sinais que sua prosaica exposição de dentes não era nada mais que um ato dissimulado de sua eminente insegurança. Como não podiam escutar? Que barulho era esse tão concreto que ensurdecia a alma daqueles que poderiam perceber os sinais? 

Já não era a primeira vez que tentava. Sua divertida autoflagelação socialmente aceita só convencia os que não viviam o mesmo dilema e ocupavam-se em julgá-lo como um pobre  diabo,  mero vagabundo,  um  anônimo feliz. Esses adjetivos poderiam até vestir seu espírito com revoltante exatidão, mas era óbvio que ele não era só isso. Óbvio demais.

Não era falsidade, ele estava alegre também. A complexidade de sua alma permitia sorrir e dilacerar seu coração de forma concomitante e igualmente sincera. A intensidade da dor é que costumeiramente  se apoderava de suas vísceras de maneira inexorável.

A superfície era bela e inebriante, era a própria arte... Daquelas que corta, que sangra, que esconde. O lado jocoso, infame e triste era escamoteado pelas falas exageradas, pelos cumprimentos absurdos, pelas relações fluidas.

E mesmo aqueles que arriscavam perceber um mero sussurro, como num súbito de inesperada coragem e ousadia, rapidamente recusavam tomar qualquer atitude, o porquê também não sabiam, tudo parecia ultrajante demais para acabar com aquela farsa agridoce.

Para cada anedota na mesa do bar, um ranger de dentes no amanhecer do dia dentro de um banheiro qualquer. Para cada jorro de sorrisos na face dos seus, um vomitar desesperado de lágrimas em seus olhos cansados e confusos. Para cada gole de cachaça que o aliviava dos dissabores cotidianos, um gole de cachaça que o devastava nos dissabores cotidianos. E assim sorria e chorava sempre com a mesma face.

Era um inconformado. Passara anos e anos buscando sentido nas coisas e não encontrara.
 Agora gritava, mas todos só ouviam silêncio.

Wescley Pinheiro

domingo, 9 de janeiro de 2011

Pauperização


Há tendinite

Ai tendinite!
 
A tendinite
 
Atende Nietzsche!


Wescley Pinheiro

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Vale de Sangue


O Sol derreteu-se perante o seu povo
Que tão caloroso no fim se calou
Ao som do disparo que nos assombrou
Matando e matando e matando de novo

No canto da água que não se inibe
O acre vazio fez-se como estorvo
Que se avermelha ao gruir do corvo
E banha de sangue nosso Jaguaribe

E o pássaro negro forte se exibe
Na seca cinzenta desse meu sertão
E o Vale de lágrimas trepidante ilibe

Assim a pistola cumpre a missão
E se perpetua em mordaz estribe
E o Vale desvale em nossa canção
Wescley Pinheiro

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Haicai da Resistência

E o poeta sorria
Lembrando que mesmo ao sangrar
Não sugaram mais-valia

domingo, 2 de janeiro de 2011

Aos Leitores...

Não consigo recitar rimas bonitas
Não esperem um poeta genial
Não me venham com valores do mercado
Nem me iludam com as cenas dos artistas

Pois eu junto pacifista e guerrilheiro
Almejando conquistar um ideal
E sofrendo influências das guitarras
Uno as sílabas ao som do sanfoneiro

E rimando vou seguindo o meu caminho
Sem querer publicar minha tristeza
Pois não vivo cultuando a beleza
Nem exploro a mudez de um espinho
Wescley Pinheiro- ano: 2003

domingo, 26 de dezembro de 2010

Rio, choro

Comecei a sentir aquela sensação quando percebi os alto-falantes da estação propagarem sons de violinos pelos pesados ares daquele raro dia sombrio. Sentia-me em uma narrativa qualquer dos filmes exibidos nas madrugadas de segunda-feira e entrei no vagão imaginando qual personagem clichê seria eu. A música espalhava-se dando ênfase aos tons graves, o que me sugeria que pudesse ser um drama medíocre essa película em que eu, provavelmente, estaria imerso.

Não sei se por impressão, devido ao complexo de inferioridade, ou por fato inconteste, percebia em cada rosto uma estranheza carregada de desdém ao se depararem com minha camiseta do Fortaleza que , junto com meu olhar assustado e vislimbrado, denunciavam a imigração instantânea daqueles dias.

Estava na capital da contradição. Tudo era lindo e tenebroso, horrível e atraente. Em todos os cantos se podiam ouvir os mais dispares palavrões e xingamentos, mas quase sempre em tons corteses.

Por todos os lados respirávamos medo e poesia, tudo como nos passaram durante anos e anos nos relatos à distância sobre a combinação singular de tiros e pandeiros, de versos e gritos estridentes. Aquilo me encantava.

Era o sentimento de contradição do humor mórbido, da malandragem latente, de um folclore que quase não mais se materializa na selva de pedra em disputa com as belezas naturais. Elementos visíveis nas grandes cidades de nosso país, mas que aqui tomam cores, formas e intensidades singulares.



Imagino que seja esse sentimento de contradição que sinta o menino que ficava nos olhando por debaixo da passarela, enquanto pedia esmola aos transeuntes que iam rumo à estação Maracanã. Os olhos daquele negrinho magro eram a cidade, sorriam e choravam ao mesmo tempo, cantavam e berravam, temiam e causavam temores. Ele era a contradição


Tivesse mais tempo, conversaria sobre isso com aquele baiano que mora em Pernambuco e ama o Ceará, pois talvez se não saíssem os afagos e as respostas concretas sobre os enigmas desse lugar, ao menos bons versos e confortantes goles de cervejas estariam garantidos. Desconfio que seja disso, da arte, das gargalhadas e das lágrimas que esse povo se alimenta.

Não havia tempo para confirmar essas hipóteses, pois estava chegando o momento de partir. O silêncio em mim dizia que eu precisa me despedir, mas não sabia de que, pois estava só, tive assim que permanecer mudo.

Era óbvio que não partiria ileso. A contradição daquele lugar já estava em mim. Estava alegre e triste, com saudade de tudo, do ontem, do agora, do amanhã. Amava, odiava e temia o passado, o presente e o futuro. Queria ir e ficar. Talvez buscar coisas de lá pra cá ou levar coisas daqui pra lá, algo impossível em um enredo tão fiel ao real e amarelado cinema nacional.

Desci na Presidente Vargas. No caminho pelo Centro ia me convencendo de que a contradição ainda tomava conta de tudo e fazia em cada passo um paralelo com meu povo e meu lugar, mas a saudade agora já se reconhecia no que eu não podia ver.

Pude perceber que realmente estava chegando à hora de partir, mas que embora eu precisasse me despedir e não houvesse como, a chegada em minha terra seria repleta de palavras, sorrisos e... contradições, ainda.

Parei numa famosa confeitaria. Foi ali que puder matar aquela curiosa nostalgia do presente e vislumbrar a minha invenção de uma nova saudade. Talvez, o não querer ir fosse o medo do distante acender essa nova saudade e de perceber que essa contradição não morreria mais, mesmo sob ataque das barreiras geográficas.

Sim, era hora de voltar. As contradições, saudades e lembranças, as novas e as antigas, precisavam se misturar. Como percebi isso? Sentei-me numa mesa e pedi doces quaisquer. Ao provar o bolo de aipim constatei que ele não era tão saboroso quanto o bolo de macaxeira. Quis uma rede para deitar.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

UM CONTO DE NATAL (Epitácio Macário)


Para o amigo Elias de França.

Enquanto fecho os olhos, revivo a cena de trinta e seis anos atrás. O lume hesitante da lamparina a querosene continua aceso na lembrança e ainda sinto o cheiro da neblina que acalmou a poeira do terreiro misturado com fumaça de pavio e alfazema queimada. Afora o grasnar da coruja de vôo rasante sobre o telhado e ecos de conversas vindas da estrada que ia dar na cidade, ouvia-se apenas a respiração ofegante, os silvos do ar inspirado a força, as frases reticentes, ditas pela metade...

A tarde tinha sido enevoada, de clima abafado e muitos carros na estrada, levantando poeira seca. O pai demorou a voltar da cacimba e quando apareceu trazia a cabaça vazia. Lembro de vê-lo por trás dos marmeleiros sentado numa pedra, como a fitar a copa das árvores, e atravessar a cancela do quintal em passos planejados. A filha mais velha tomou-lhe das mãos a cabaça, esticou a rede do lado da janela, na sala de jantar, colocou o travesseiro de bater algodão para formar um encosto, acomodou-o e começou a balançá-lo. O suor escorria pelo pescoço de pele curtida, tamanho era o esforço. 

A noite se anunciava, cobrindo com manto negro os restos de raios a oeste, quando a mãe dobrou o canto da cerca, exalando o cheiro de assados e chouriço que preparara na cozinha da casa da fazenda. Foi direto a ele, fez-lhe uma carícia no rosto e enxugou-lhe o suor; acendeu o carvão no fogareiro, trouxe-o para perto da rede, lançou sobre o braseiro um punhado de folhas de alfazema e começou a abanar a fumaça para debaixo da rede. Serviu-lhe uma porção feita à base de entrecasca de jatobá, jenipapo, aroeira, angico e minúsculos pedaços de cabacinha. Nenhuma palavra, só um gesto, um olhar firme e um clima de ternura e cumplicidade. Lembro como fosse hoje do sorriso que ele esboçou e da serenidade que se fez no seu semblante. Adormeceu.

Um mexido de feijão com arroz, cuscuz e torresmos, acompanhado de carne de porco assada com sobremesa de coalhada adoçada com raspa de rapadura, ficou apenas na fantasia que fora sendo desfeita enquanto a noite avançava. Nada mais que uma panela de xerém ardia na fornalha e mesmo o café de boca de noite não exalava mais cheiro: ora, ele fora preparado com a borra do pó da manhã! Os ovos, duas cestas cheias, e dois capões cevados tinham sido levados para a cidade. O apurado deveria ser investido na compra de quatro pares de chinelos, um quarto de café, dois litros de querosene e pães da padaria.

Minha rede estendia-se bem no meio da porta do quarto contíguo a sala de jantar. De lá, acompanhei e compartilhei a aflição da nova crise por volta das vinte e três horas. Ele ergueu-se de supetão, agarrou-se aos portais da janela buscando a brisa que corria suave lá fora. Os pulmões contraíam-se forte em ritmo acelerado e seu rosto foi ganhando uma cor vermelha, depois roxa... “Senhor, tende piedade dele!” suplicou a mãe e, num misto de dor e ternura, continuou: “não se entregue, meu velho; eu estou aqui; seus filhos estão aqui!...”. Novamente o cheiro de alfazema, incensos e ervas diversas.

Na pequena mesa de pau d’arco, lavrada a enxó e formão, havia um velho rádio marca Semp que recepcionava sinal transmitido em ondas longas de alhures.. Impossível esquecer o vai e vem das ondas, os assobios e chiados das quedas de freqüência e o jingle repetido de dez em dez minutos: “Sociedade... Salvador Bahia”. Quando a missa começou, ouviu-se um concerto que misturava o dobrado dos sinos com as dezenas de vozes do coral e um sublime som de piano que pairava como uma cortina luminosa por trás de todos os ecos.

Ali, na pequena casa de beira de estrada, a angústia resignada da mãe coragem contrastava com o desespero de duas das filhas que, no terreiro, soluçavam lágrimas de ressentimento: “Deus, por que nos desprezastes!”. Outros transitavam entre a sala e o quarto, em voz de pensamento, como que aguardando alguma coisa que já não sabiam o que era. 

Fingi para mim mesmo que dormira, fechei os olhos, procurei subtrair-me da situação, divaguei em pensamentos... Os ruídos do instante foram se distanciando, enfraquecendo, até sumirem, como as ondas do rádio. Mesmo o primeiro cantar do galo desmanchou-se no ar antes que chegasse aos meus ouvidos. Foi então que vi o pai erguer-se revigorado, arrastar seus velhos chinelos de sola crua até a alcova, pegar o violão, chamar todos para o terreiro e, do lado de sua amada, cantarolar madrugada adentro...

O sol principiava a romper a placenta da noite, quando ouvi sussurros da conversa de todas as madrugadas, alguns sorrisos soltos, vindos do quarto da mãe. Os dois desenhavam em cochichos o futuro. O rádio, agora sintonizado na Globo do Rio de Janeiro, tocava uma canção de Jackson do Padeiro. Demorei a abrir os olhos para não perder a paz do momento, até que o avistei, ereto como sempre, indo ao terreiro pegar gravetos para a mãe acender o fogo e fazer o café trazido da cidade pelos irmãos mais velhos. A crise de asma havia passado e ele assobiava docemente: “noite feliz... noite feliz...”. Debaixo da rede havia um embrulho com pão da padaria e um par de chinelas japonesas.

Era natal de 1973, numa casinha de beira de estrada, na localidade de Riacho do Gado, no município de Tamboril/CE.



Esse texto não é de minha autoria, foi escrito por um grande amigo, Epitácio Macário, o melhor texto de natal que eu já li.

Delírios


Estava angustiado e febril. Cansada de engolir em seco, sua garganta latejava como se quisesse vingança de todas as vezes que fora obrigada a relutar.
A náusea e a vertigem o animavam de forma contraditória. Era como se o fizesse lembrar que estava vivo e o obrigasse a expulsar de si aquilo que sempre foi. Agora, indubitavelmente, teria que materializar o caos.
Porque escrevia tão mal nunca entendeu. Sempre achou que escrever tinha algo diretamente relacionado com a dor que perfura o coração dos poetas. Ele tinha a dor não o talento. Mesmo assim fantasiou algum potencial devido à urgência da ocasião. As palavras vinham como coceira, eram inevitáveis, prazerosas, dolorosas, doentias.
O momento lhe pedia a realidade, mas ela se apresentava caleidoscópica, parabólica. Hesitou por um instante e vomitou por seus dedos os medos e as fantasias que se espalhavam cuidadosamente em doses homeopáticas, num receio psicótico, como se alguém o observasse.


Estava angustiado e febril. De alguma maneira isso o inspirava.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Soneto da Enganação


Quando a linha já gatuna percebe seu feito
Falseando verdadeiras mentiras sinceras
Quando o homem e sua tinta transformam-se em feras
No real fantasioso sonho e seus defeitos

É aí que o sentimento revira em seu peito
Com o ritmo descompasso que desacelera
A visão e a emoção dessa grande esfera
Desse círculo fechado da arte em seu leito

E a vida e a farsa dessa nossa era
Toma rumo, toma cana e caem no gueto
E faz dolorosa seca virar primavera

É por isso que o poema finge desse jeito
Mas no fim com seu aleijo sai de longa espera
E bradando se acusa por não ser soneto

Wescley Pinheiro