quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Clichê

Inicio pedindo desculpas, pois hoje não venho escrever poesia, nem conto, nem crônica. Hoje venho trazer um simples clichê. Sim, uma pieguice dessas bem repetidas, batidas e rebatidas, como um velho ditado ou uma canção popular de amor.

Carrego esse clichê como um sujeito que levanta um cartaz onde está escrito “eu já sabia”. Um cartaz comum, onde todos leem e logo pensam “nós também, todos já sabem”. E é verdade, todos já sabem. E apesar disso o cartaz precisa ser levantado, pois de tanto todos saberem, alguém precisa lembrar.

Essa é a maldição e a dádiva de qualquer clichê. Ele está claro, concreto e posto em nossa frente, o vemos e não enxergamos. Ele é a pedra que você tropeça, é aquele móvel que sempre esteve ali no mesmo lugar e, mesmo assim, você vai e bate sua canela com toda força, pra depois sair gemendo de dor.

O clichê é a caneta que você procura desesperadamente para anotar um recado, quando de repente percebe que ela está dependurada em sua orelha. Você se acha um bobo, rir de si mesmo, pega a caneta e quando vai anotar o recado já o esqueceu.

É imperativo lembrar das obviedades, daquilo que julgamos desnecessário pensar, e falar, e fazer. Recordar aquilo que subitamente nos salta aos olhos, nos coloca o velho e novo numa coisa só, nos deixa no ridículo de nossa pequenez, nos emociona, nos ensina, delata a ineficiência de nossa suposta autossuficiência, nos põe no chão.

Nesse clichezinho brega e melódico que carrego existe um elemento próprio de todo clichê: a sua verdade. Trago nele a obviedade subestimada, naturalizada sob os mecanismos obscuros das repetições.

Pois é, nesses últimos dias um clichê me pegou. Agarrou em minhas costas e me fez carregá-lo por cima de minha solitária pretensão.  Agora eu preciso falar dele, sobre ele, ainda que pareça tolice. Mesmo que esse texto se revele ingênuo e medicante em essência poética, frígido de rigor teórico. Ainda que se confirme em seu inequívoco, pobre e inglório lugar-comum.

A vida me exige um chavão. Sinto-me tentado, mais que isso, convocado, impelido ao testemunhar seu poder inexorável. Preciso falar de amizade.

Sim, é isso, preciso falar de amizade. Esse termo curioso, plural ainda que singular. Essa relação dotada da mais complexa diversidade de expressões, a mais evidente manifestação de nossa necessidade do outro, do coletivo, do nós.

Clichê: Não há nada mais precioso que cultivar boas amizades. Mesmo que poucas, ainda que raras ou adormecidas pelo tempo e pela distância. Cercar-nos de pessoas boas nos revela, quando menos esperamos e quando mais precisamos, o valor da amizade.

"Valor da amizade"? Sim, eu avisei e já pedi desculpas de antemão, é clichê. Todo clichê é meio assim, meloso, impreciso, ora com gosto de açúcar, jeito de filme da Sessão da Tarde, ora com aquele ar de refrão de música brega. 

Nesses dias de agonia e grandes dificuldades a vida me lembrou: cada amigo verdadeiro, cada pessoa boa em nossa existência, tem o poder de anular cem pessoas más e seus melindres. Para cada desafio imposto pelos grandes problemas, o poder de um pequeno (ou gigante!) gesto amigo basta. A amizade é, sobretudo, um trunfo que a vida nos permite.

Hoje me sinto privilegiado por carregar esse clichê, sinto-me grato por precisar repeti-lo. Hoje preciso agradecer à vida por me lembrar dessa obviedade, por me colocar de frente com esse chavão: não há nada mais precioso que cultivar boas amizades.

Eis o clichê, senil e original, escasso e valedouro, fugaz e infindável. E é por isso que hoje não vim escrever poesia, nem conto, nem crônica. Hoje vim apenas trazer esse simples clichê. Uma pieguice dessas bem repetidas, bregas, batidas e rebatidas, como um velho ditado ou uma canção popular de amor.

Dou-me ao luxo e ao lixo do clichê, por que ele vem recheado de gratidão. Hoje eu sou todo chavão e chinfrim! Que venha o brega, que venha a canção de amor, o teor exagerado, a frase feita que foi feita para isso.

Certa vez, disse um poeta, “a amizade é o amor que nunca morre”. Não há nada melhor e mais clichê que um amor eterno.


Aos meus amigos e amigas, meu muito obrigado.


terça-feira, 6 de agosto de 2013

Mordaz

O acalanto da dor pútrida pousou em mim
Cambaleou como quem se desespera
Sussurrou mordaz como a coragem vazia
Que só os sobrepujados amargaram sem fenecer

O acalanto da dor pútrida pousou em mim
Com a volição de quem abocanha o seu fado
E tem somente o vácuo jaz em seu pobre paladar
Ante o gozo deletério dos tiranos
Que perpetuam suas carícias dolentes
Denunciadas na mordaça e no silêncio
Bradando tenazes como o medo na penumbra
De quem sucumbe sob o domínio falaz

O acalanto da dor pútrida pousou em mim
Já é noite, o tempo urge e eu aqui

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Média

Surge a nova classe mídia
Na média televisiva
Que visa, que compra, que deve
Deve sempre evasiva
A classe média tem visa
E visa nova investida
A média da nova classe
É pequena e imprecisa
E precisa de disfarce
Pra esconder carne viva

A nova classe é velha
Já é velha conhecida
Telefone, telemarketing
Televisa a decolagem
Da classe mídia atrevida
A classe tem até vida
Merece ser aplaudida
Compra tênis da adidas
Vê na tela sua face
Com imagem colorida
Que cobre a média da classe
E passa despercebida

Viva a nova classe mídia
Viva a média nova classe
Viva a mediocridade
Da média classificada
Mediando o tudo e o nada
Em meio a desigualdade

terça-feira, 18 de junho de 2013

Quem tem medo dos Partidos? (ou as mentiras que nos contam por aí)



Não é sobre vinte centavos, não é sobre a Copa, não é sobre a corrupção. É muito mais que isso! De tantas cenas emocionantes, instigantes e de esperança que aparecem nesses últimos dias o contra-ataque que se arregimenta ante a força do povo nas ruas vem de diversas formas e muitas mentiras são ditas por aí.  Diante delas eu afirmo: o Brasil não acordou agora, Arnaldo Jabor não errou e se arrependeu e a polícia não é despreparada.

Primeiramente é preciso dizer que a alegria e euforia de hoje precisam ser canalizadas para os verdadeiros inimigos. O fortalecimento desses levantes é fruto de anos e anos de lutas em que movimentos sociais mais diversos, sindicatos e partidos verdadeiramente de esquerda vieram construindo sob a invisibilidade e a criminalização da mídia, do Estado e de muitos outros setores. Os movimentos feminista, negro, LGBT, das classes trabalhadoras, entre outros, com seus limites, desafios e problemas nunca dormiram. 

Enquanto Jabor titubeia num "eu errei" cínico e revelador de que a direita reacionária buscará se apropriar dos protestos também, a Folha de São Paulo se obriga a mostrar uma cobertura distinta da repressão que cobrou em seu editorial, logo depois de ter seus próprios funcionários como alvo do aparelho repressor que esse veículo tanto apoia. Não nos enganemos! A polícia não é despreparada, nunca foi. A polícia é preparada para aquilo. Ela é treinada para o não-diálogo, para a violência, para a repressão do povo trabalhador.

Diante dessa linda e diversa manifestação a mídia burguesa acabou tendo que mostrar o inevitável, aquilo que sempre acontece nos atos, que sempre acontece com os jovens negros na periferia, que sempre é inviabilizado e/ou manipulado por essa mídia hegemônica e conservadora. Hoje com uma notinha na rádio bandeirantes aqui, um comentário na ESPN acolá e muito conteúdo circulando na internet a verdade das ruas vai saltando devagarinho, respingando no monopólio que comanda os meios de produção, o Estado e meios de comunicação de massa. Não há projeto, direção, mas há fagulhas de rebeldia e insatisfação que se espalham a cada ato de repressão e isso já é motivo para o sinal amarelo dessa elite está ligado. 

Fiquemos atentos, pois o contra-ataque não será pequeno. Não caiamos nas armadilhas do sectarismo ou  do discurso pequeno burguês de apoliticismo, esse é o jogo do poder. Não temamos lutar, mas temamos que nossa luta seja reacionária. Disputemos os espaços, vamos refletir nossas ações e continuar ganhando essas ruas contra os governantes de todas as siglas que governam contra o povo trabalhador, mas centremos nossas forças também e principalmente naqueles a quem eles representam de fato. A negação e a crítica aos partidos de esquerda é um tiro no pé, é um erro de avaliação, uma mudança de foco que só desmobiliza, que só faz com que nos concentremos nos pormenores e não no sentido geral das mobilizações.

 Reinventar a política sim, negá-la jamais! Superar a discussão eleitoral e eleitoreira é urgente e isso se faz justamente qualificando os espaços, disputando pautas, bandeiras e concepções. É chegada a hora de centrar a luta contra aqueles que lucram com nosso sofrimento, com a exploração do trabalho, com as opressões mais diversas. É preciso negar sim, mas é preciso propor o novo, o diferente, o divergente, o projeto coletivo que seja profundo, coeso e que vá até a raiz de nossos problemas.

E por que os partidos combativos e movimentos sociais que estiveram aí se contrapondo e se organizando por tantos anos contra os desmandos da burguesia e seus representantes políticos, inclusive construindo, divulgando e militando nesses atos desde o início, quando as pessoas mesmo diziam que "não tinham acordado", porque eles agora não poderiam mais participar? De quem é o verdadeiro oportunismo se esses partidos não caíram de paraquedas nos atos? Há algo de muito estranho nessa onda "apartidária"/anti-parditária reforçada pela mídia.

O pior discurso é o discurso depois do conformismo, é o discurso fatalista, ele não tem proposta, nem se aprofunda na crítica, diz que tudo e todos são iguais e pronto, fim! Fim? Fujamos dessa armadilha! Não caiamos no jogo da direita, da Globo, da mídia como um todo. Eles sim querem desvirtuar, despolitizar. Ninguém precisa ser militante desses partidos, nem concordar integralmente com suas pautas a priori, mas rechaçar de forma indiscriminada é tudo que a classe hegemônica quer para se manter e utilizar do oportunismo populista para aprofundar seu projeto. Nenhum partido pode ir lá se aproveitar, tutelar ou manipular as lutas, mas ninguém pode sair indiscriminadamente violentando o direito dos manifestantes levarem suas convicções políticas para a luta se ela é coerente com o projeto de sua organização e se está de acordo com as pautas das manifestações.

A direita quer generalizar, colocar todo mundo no mesmo saco para fazer com que essas manifestações sejam meros episódios e não se transformem em algo duradouro! Deixemos os coletivos, organizações, entidades de luta, com suas divergências, projetos e métodos democraticamente participarem sim dos protestos, não neguemos o direito de diversamente nos unirmos. Se o medo é o do aparelhamento que o povo não deixe isso acontecer, mas saiba os motivos e os métodos para isso, pois os partidos de luta devem ou deveriam ser do e para o povo trabalhador e não somente o povo trabalhador ser dos partidos, é uma linha tênue, mas negar isso é muito mais perigoso, pois é a porta aberta para o fascismo, assim como na ditadura brasileira ou no nazismo o discurso também foi de supostamente negar a política. 

A direita e seus grupos tem medo de que a revolta se transforme em revolução. A direita vai à rua e à mídia elogiar os movimentos que antes criminalizavam. Ela fala em pessoas de branco, sem partido, buscando direitos, felizes, exercendo sua cidadania. A elite quer desmobilizar, caricaturar, disputar os rumos por dentro visto que não conseguiu com o microfone e o cassetete.

A direita tem medo de projeto, de direção e de organização. Ela tem medo da palavra radical e a coloca sempre de maneira enviesada. Ela quer carnavalizar as lutas, transformar em passeata pela "paz", pela "ética", "contra a corrupção" e outras coisas para que se acabem no nada. A direita quer inclusive fingir que não há direita nem esquerda. Ela quer fingir que não há diferenças partidárias, que não há ou não deve haver coletivos, apenas indivíduos insatisfeitos, espontâneos e só. O desafio agora é o aprofundamento dos levantes, a síntese da linda fagulha acesa, a formação e organização política para além do que é de hábito e aí a direita não vai mais dormir!

Quem tem medo de partidos radicais, emancipatórios, de luta é a elite, é a burguesia. Quem odeia trabalhadores organizados são aqueles que lucram com os baixos salários, com os altos preços, com a corrupção do Estado. Não é somente vinte centavos, nem sobre a copa, é sobre direitos dizem todos. O direito de protestar, o direito de acreditar na organização e na luta coletiva, o direito de acreditar na mudança e o direito de duvidar das mentiras que nos contam por aí, como aquelas que sempre espalharam de que brasileiros não protestavam, de que protesto era coisa de vagabundo e de que política é coisa de ladrão. Política é coisa nossa e é lá na rua que a gente vai mostrar isso!

Naquela esquina ali em frente se encontra essa interrogação da poesia: mudar de emprego ou mundo? Mudar o preço da passagem ou mundo? Mudemos tudo e não deixemos nos confundir com o discurso de "apoliticismo", "pacifismo", "eticismo" que estão querendo impor, pois a direita, a tv, os governos, a burguesia estão tremendo que a REVOLTA vire REVOLUÇÃO!
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Revolta!

Correram sem direção
Sem sangue nos olhos
Com pedras nas mãos:

“É tara! É tora! É tiro!”
Marcharam... murcharam!
Um belo suspiro
Durou um segundo
Pois não decidiram
Dilema profundo:
"Mudar de emprego
Ou mudar o mundo?



Wescley Pinheiro
Assistente Social, poeta, não filiado a nenhum partido.

domingo, 9 de junho de 2013


No dito pelo não dito
À mercê do improvável
Sob as mãos do improviso

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Composição

Aperta o peito
Esse pavor inominável
Embora já o tenha classificado como pavor

É um sufoco fluido e inconstante
Percorre friamente o interior de meu corpo
Se espalhando para as periferias
Até ultrapassar a epiderme
E propor à minha áurea
Um acordo entre esse medo incomum
E o vento suave que toca minha pele 

Agora sou o teatro,
Sou palco, sou público
Assisto e choro
Enquanto ambos aceitam a dança
E mergulham numa valsa mordaz
O medo e a brisa bailam por sobre mim,
Correm da cabeça aos pés
Cantarolando desânimo e insônia,
Rodopiando pesadelos em passos descompassados
(Ainda que belos)
Como num número improvisado
Artisticamente voraz
Um espetáculo que não assisto estático
Que me coloca em desacordo
Onde retorço minhas pernas
Encolho meus braços
Arregalo os olhos
E grito para depois calar.

O ritmo vai perdendo fôlego
Ao passear em meu corpo
E volta resignado ao meu peito.

É hora de nova música
De uma melodia que ajude a ampliar
O espaço
Que silencie esse aperto inominável
Embora eu já o tenha classificado de pavor.

Que fechem as cortinas, por favor.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Carga



Uma tonelada de escolhas em seus ombros
Nas costas, os desejos e seus escombros
O ontem amarrado em seu pescoço
O peso do presente na cabeça
E o medo do amanhã no coração

Haja pés, haja mãos

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Maio


Uns tomando no cu
Outros a decisão
De tomar uma cerveja
Para o lucro do patrão

terça-feira, 30 de abril de 2013

Transação


Do solo do salão e do salário
O rosto do roçar resta no rócio
Na sala e no suor do solitário
A transa não é gozo, mas negócio
O ócio é oneroso para o sócio
O selo do consócio é salafrário
Não há prazer, mas peso e um prontuário
Entre aquilo que é preciso e o necessário

O gozo horroroso é puro erário
A transa assediada em sacerdócio
E o dia é debitado num diário
Ocupa o colo oco o dolo ócio
Ainda no ardor de tal aviso
O troco roto de um prejuízo
Que teve em seu transe temporário
Só isso resta no que é preciso
E falta no que é tão necessário

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Procura


Lá está o poeta
Diuturnamente incansável
Procurando seu verso inexorável
Não nas estrelas, não no luar

Lá está o poeta  tentando encontrar
A poesia escondida no mendigo
Que dorme na Praça José de Alencar

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Pós


Um gole de gala
Um galo de briga
Um fole de fala
Um doido que diga
Uma voz vazia:
"Deu enter
Fez poesia"

quarta-feira, 24 de abril de 2013

O CAUSO DE ZÉ FIRMINO


Hoje trago novamente mais um vídeo-exercício  das oficinas Projeto*. A história desse aí foi a seguinte: fizemos o enredo coletivamente em sala, os personagens, o desfecho, depois eu fiz o cordel e filmamos em duas tardes de maneira improvisada. O resultado foi esse aí, bem amador, de brincadeira mesmo, mas não menos divertido, hehehe:



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O CAUSO DE ZÉ FIRMINO


Hoje venho lhe contar
O causo de Zé Firmino
Que era um jovem bom
Honesto desde menino
Mas meteu-se em confusão
E quase que esse refrão
Revira o seu destino

Zé era muito franzino
E sua vida era assim
Do trabalho ia pra aula
Morava no Bom Jardim
Lutava por seu futuro
Sem se meter em apuros
Pra conquistar o seu fim

Mas a vida é assim
É cheia de presepada 
E na vida desse Zé
Uma peça foi pregada
É que o pobre foi parar
Onde não devia está
No lugar e hora errada

Vejam só que emboscada
Escute e Participe
Pois  ao voltar do trabalho
Na Rua Oscar Araripe
Andava tranquilamente
Simpático como sempre
Cumprimentou João Filipe 

Felipe ansioso disse 
“Estava te procurando
Preciso de sua ajuda
Continue caminhado
Mas escute com atenção
O que pedirei então
Pois vou logo lhe explicando”

Meu parceiro João Felipe 
Disse o Zé educado
Por que tá com essa cara
Você está assustado?
E o que tem nessa sacola
Parece fraco da bola
Falando todo acuado”

O tal Felipe enjoado
Respondeu logo depressa
Ômi deixe desse lero
Ora que conversa é essa
Estou aqui na limpeza
A tarde tá uma beleza
Só estou meio com pressa

Continuou a conversa
O João Felipe malaca
Disse tenho uma visita
A uma prima que tá fraca
A bichinha adoentou
Por isso peço um favor 
Pra você que se destaca

É destaque e sempre emplaca
Quando o assunto é bondade
Por isso que eu repito
Que faça essa caridade
De cuidar dessa sacola
Enquanto eu dou o fora
E volto pressa cidade

Zé cheio de amizade
E também de emoção
Mandou o João Felipe
Acabar com o sermão
E ir cuidar de sua prima
Sem saber que essa rima
Causaria confusão

Caminhando sem noção
De onde ele se metia
Foi quando viu uma moça
Com o nome de Maria
Que gritou “minha sacola!”
Agora ninguém me enrola
“Esse ladrão já expia”  

O Zé já sem alegria 
Meteu o Pé na carreira
Com a policia e Maria
Atrás feito estribeira 
Zé se dizia inocente
Pois um cidadão não mente
Nem comete essa besteira

Sem ouvir a choradeira
O guarda corria atrás 
Queria prender o Zé
Não daria trégua mais
Até que o Zé cansou
E chorando se humilhou
Pedindo Acordo de paz

“A justiça julgarás”
Disse a autoridade
Foi quando chegou Maria
E percebeu a maldade
Que fizera com inocente
Que era um rapaz decente
E ia pra trás das grades

Foi na curiosidade
Que percebeu o bandido
Era o tal de João Felipe
Atrás do poste escondido
Aí Maria gritou 
O guarda se apavorou
E correu aborrecido

Correram aborrecidos
O Guarda, Maria e Zé
Pra pegar o João Felipe
Mais o ladrão deu no pé
E ao perceber um muro
Resolver dá logo um pulo
Se safar num cangapé

Ao cair quase de pé
 Surpresa e decepção
Tinha dois policiais
Esperando o ladrão
Percebeu que aquele muro
O deixava em apuros
Era o muro da prisão

A sua desatenção
Deixou a situação feia
Não percebeu que sua fuga
Acabava na cadeia
Agora tava de vez
Morando lá no Xadrez
Com medo do mói de pêia

E o Zé esbadeia
Com a nova companhia
Nosso herói se deu de bem
 Namorando com Maria
Conseguiu felicidade
Com a sua honestidade
Só vive na alegria

Acaba com honraria 
O causo de Zé Firmino
Mas é só mais uma historia
Pra lembrar do desatino
De quem vai pro lado errado
E acaba esfolado
Pelo seu próprio destino

Livre estava Zé Firmino
João Felipe atrás das grades
É assim que terminou
Essa historia de verdade
Pra mostrar pra esse povo
Que quem se ferra de novo 
É quem age com maldade

Por isso que honestidade
Nunca fez mal a ninguém
O Zé lutou pela paz
E nunca enganou também
Sabendo que o bom caminho
Apesar de seus espinhos 
É o caminho do bem. 

Wescley Pinheiro

--
* Vídeo realizado como exercício na Oficina de Audiovisual do Projeto Protejo - Núcleo Bom Jardim - Fortaleza-CE Ano 2010 com jovens de 15 a 24 anos daquele bairro. A oficina foi de 8 dias, constava com um panorama dos conceitos básicos do audiovisual, introdução a linguagem, iniciação prática com novas mídias e análise fílmica. A qualidade do vídeo original era muito melhor, mas uma tragédia com o meu computador fez com que eu perdesse os arquivos. Direção e texto foi minha: Wescley Pinheiro. O roteiro e atuação de toda a turma.
O PROTEJO foi um Projeto dentro do PRONASCI do Ministério da Justiça com parceria da Guarda Municipal de Fortaleza, executado junto com o Núcleo de Pesquisas Sociais da UECE do qual fui bolsista.

terça-feira, 23 de abril de 2013

A Coisa


A COISA: “Jovens encontram uma coisa estranha no chão. O que seria?"


Segue agora uma produção momintiriana que quase ninguém conhece. Tirando da gaveta um vídeo realizado como exercício na Oficina de Audiovisual do Projeto Protejo - Núcleo Bom Jardim - Fortaleza-CE Ano 2010 do qual orgulhosamente fiz parte, junto com jovens de 15 a 24 anos daquele bairro. Esse pequeno vídeo é incapaz de mostrar o quão aquela experiência foi desafiadora e importante. Agradeço imensamente ao NUPES pela vivência daquilo tudo.

A oficina foi de uns 8 dias e constava com um mero panorama em conceitos básicos do audiovisual, introdução a linguagem, iniciação prática com novas mídias e análise fílmica. A qualidade do vídeo original era muito melhor, mas uma tragédia com o meu computador fez com que eu perdesse os arquivos.
Direção e edição foi minha: Wescley Pinheiro
O roteiro e atuação de toda a turma.

O PROTEJO foi um Projeto dentro do PRONASCI do Ministério da Justiça com parceria da Guarda Municipal de Fortaleza, executado junto com o Núcleo de Pesquisas Sociais da UECE do qual fui bolsista.







domingo, 14 de abril de 2013

No Fiapo indica: Aperte O Alt!


Olá amigos!
Decidi que abrirei uma seção aqui nesse meu lugarejo virtual para colocar algumas dicas do que leio no ciberespaço. A intenção é trazer para aqueles que não conhecem os divers@s autores de qualidade que temos por aqui e não prestamos atenção. Essa iniciativa visa também dinamizar isso daqui, visto que a correria do dia-dia torna difícil a (já nada fácil) empreitada criativa desse pequeno e iniciante escriba que vos fala tão despretensiosamente.

Sei... não sou um grande escritor, estou aqui exercitando, em formação, brincando, errando e acertando e adoro quando recebo uma boa crítica ou um incentivo, quando divulgam, quando indicam, quando dizem que há algum sentido nisso tudo. Foi assim que me convenceram a escrever.

Sei também que é muito legal ler e compartilhar por aí trechos de noss@s grandes escritores e coisa e tal, mas abrir-se para o novo, para as letras de gente viva, gente do nosso tempo e que pode está do nosso lado pode ser uma experiência incrível! É óbvio também que nessa terra de ninguém e de todo mundo que é a internet tem muita coisa de qualidade duvidosa, mas a intenção é justamente dar vazão ao potencial, ao talento, a qualidade que podemos garimpar por aqui, nessa maneira de fazer arte, de espalhá-la e de buscar um lugar ao sol num tempo e num lugar que, cá pra nós, não valoriza a literatura como deveria.

Dito isso, digo que nessa seção encontrarão autores iniciantes, autores publicados, geniais, outros nem tanto, mas todos com algum talento e, sobretudo, textos que me chamaram atenção em algo, ou seja, um critério mais subjetivo do que técnico (nem tenho competência para tal). 

Inauguro essa seção indicando um blog que conheci há muito tempo, que acompanho com certa frequência e que de certa forma me estimulou a alimentar meu blog de maneira mais séria. O blog que indico hoje já  é consagrado e referência! Falo do “Aperte o Alt” do talentoso Renato Alt que traz (entre outras coisas) pequenos e valiosos textos em prosa que encantam, prendem a atenção e fazem pensar.

Salvo o engano, conheci o “Aperte o Alt” por via de um blog de humor ,o kibeloco.  Com uma referência tão escrachada, entrei de maneira tão despretensiosa, quanto foi minha surpresa com o conteúdo simples e denso que Alt me trazia. Li compulsivamente e tive vontade de escrever também, senti-me estimulado.

Não é por acaso que o blog já ganhou alguns prêmios e é um dos mais visitados do gênero. Renato Alt é versátil, vai da densidade à descrição do cotidiano em seus textos sem nenhum esforço maior. Sua variedade aparece também no contraste de suas temáticas e estilos no blog quando comparadas com as hilárias tiradas nas frases do twitter e facebook.


No limiar da rapidez da vida, sobretudo da internet, acabo não acompanhando tão regularmente os textos, mas sempre que posso volto, descubro e redescubro coisas incríveis.

Por isso indico: leiam o "Aperte o Alt"! http://aperteoalt.com.br

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Bruto



Espectro culto
Especulo o verso astuto

Espetáculo
Simples sepulcro
Um verso, um voto
Um vulto