terça-feira, 5 de março de 2013


Uno versos pra matar o tempo
Universo lento
Na palma de minha mão
Perto parto e tal sofrimento
Num universo de dor-ação

Uno versos em teimas e tentos
Tanto tato, como tão
Universo doando lamento
Poema pronto
Que

li
dão

sábado, 2 de março de 2013

Ostracismo Preventivo

O bichinho da vaidade estava lá e ainda mais cínico. No entanto, não foi por inveja, mas por medo ou por pura crueldade que tudo aconteceu.

Mergulhado no marasmo, o sujeito sabia que os seus Caetanos, Gils e as grandes gravadoras já estavam por aí exercendo seus papéis. Enquanto o tempo se arrastava, ele ainda aguardava com fé o aparecimento do David Bowie de seu Tom Zé.

Era justo esperar. Pois o maior problema dessa história não era o fato de que nenhuma das personagens tinham o talento e a genialidade de Caetano, Gil, Bowie e muito menos de Tom Zé. A analogia presente surgiu desprovida de qualquer tom pretensioso, ela apareceu  mais por resignação do que por resiliência, muito mais por esperança do que por certeza e essa questão se resolveria indubitavelmente com o recurso da proporcionalidade.

O problema maior é que o sujeito não conseguiu sequer ter o seu “Estudando o Samba”. Não se sabe se isso ocorreu por incompetência, distração ou coisa parecida ou se de fato a ordem dos fatores modificou o produto, visto que, nesse caso, o processo se deu a partir de algo novo, como muitas novidades antigas, muito mais cruel e eficaz: o ostracismo preventivo. As minas, alçapões e afins se espalharam como prevenção. Elas foram engenhosamente aplicadas mais nas potências que nos atos, armas silenciosas como antes, mordazes como antes, mas com muito mais precisão e intensidade... povo eficaz esse da contemporaneidade!

E quanto ele torcia, ciscava, sofria, cantava: “Ah! Se maldade vendesse na farmácia, que bela fortuna você faria com esta cobaia que eu sempre fui nas tuas mãos...

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Festa



Bebamos nesse beco sem saída
Matemos-nos nesse mato sem cachorro
Dancemos no baile dos delatores
Molhemo-nos nessa chuva de mordaça
Na tempestade do tempo
Na banheira da bobagem
Ou no mar do ostracismo
Do cotidiano caos

Que as lágrimas escorram sempre
Pelas barbas da barbárie
Para alegrar o poder
A arma das amarguras
A bala dos bajuladores
Com seus prefácios e preces
Com o seu morno mormaço
À mercê dos mercenários
Para quem somos moedas
Somos gozo e somos prato
No banquete bactério
Pois hoje é dia de festa

E tudo em mim é descrença
Na farra dos urubus

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Escravo




No pó da poesia fico
Quando atrevo, quando travo
Quando resto, quando rastro

Petrifico meu escrito
Ora em sorte, ora em Sartre
Ora em morte, ora em Marte
No só da poesia grito

No nó da poesia minto
Às vezes penso, às vezes passo
Quando não nesse, quando não nasço
No Jó da poesia cisco

No nó da poesia fito
De algumas gosto, de outras gasto
Algumas eu posto, tem outras que pasto
E piso o peso do meu peito vasto

De vez em quando escrevo
De quando em vez escravo

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Sentidos


Aquela vontade de mudar de rumo
De mudar o prumo
Sem saber aonde chegar

Aquela vontade, aquele desejo
O desassossego
Dos que ainda teimam sonhar

Aquela aquarela vibrando na tela
Fantasia bela
Beleza na mente
Imagem que a gente
Sente com o ouvido
Ouve no sentido
Sonha com o som

Tipo aquelas músicas
Que a gente escuta
Fica triste
E acha bom

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Pódio



O Cândido ódio
Do Cântico cálido
No Pálido pódio
O Código plástico

Por puro episódio
O cedro acrobático
Curvou-se aos goles
Nos pastos de certos
Tão Sumos proféticos
De Cismas punidas
E Pura cantigas
Que catam à polis
De Proles antigas
Que fodem e fodem
Em páreas fadigas
E em fúrias nutridas
Fuzilam e morrem

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Seca


Um pingo cai
Escorre
Molha timidamente
Mas a terra rachada não o reconhece
O mato moribundo não o reconhece
O ar abafado o despreza

Não há mormaço
Nem nuvens no céu
A água é salgada, pouca
E desce de um olho
Aguando a dor e o desespero
De ser tão
Sertão

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Poser


Poeta de pose
Poeta de pó
Poeta de doze
Poeta de dose
Poeta de dó

Uma-nota-só

domingo, 23 de dezembro de 2012

Amém


Do carrasco
Tenho asco

Pego sua língua
Faço Churrasco
Em suas pragas
Eu jogo água
E cheiro o mormaço

De suas preces
Eu dou risada
E fico bem

De sua jornada
Faço piada
E digo amém

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Quero


Quero uma sopa de letrinhas
Temperada com lirismo
Pra cozinhar os meus versos
Na fogueira das vaidades
Quero embebedar-me de sonhos
Cambalear-me em rimas
Ressaquear a saudade
Amarga, num fim de tarde
Quero a ebriedade
Para depois vomitar
Tudo aquilo que alucina
E doses dessa verdade

Não quero as frases de defeitos
Nem nossos ditos ditados
Quero que falem os calos
Que calem os falos
E que o doce pós-banquete
Lambuze-me de ousadia
Quero tudo e quero o nada
Beber a noite, comer o dia
E vomitar madrugada

Quero que destilem em meu sangue
Gotas de versos ardentes
Que fermentem em meu espírito
O não-lugar mais bonito
Onde o que reluz é couro
E o que é louro não brilha

Quero a linha do horizonte
Pra costurar meu poema
Vou escrevê-lo com os pés
E recitá-lo com as mãos

sábado, 27 de outubro de 2012

Gonzagas



Como contar a história de dois artistas incríveis, de um pai ex-militar, de um filho de esquerda, de um pai autoritário e ausente, de um filho revoltado e rancoroso? Como contar uma história de homens tão marcantes para a arte desse país?

Quando vi o trailler já me arrepiei com a caracterização do ator que interpretou Gonzaguinha, desde então esperei a estreia desse filme de dois personagens impressionantes. Hoje vi o filme e não me arrependi, fui coberto pela mais intensa chuva de sentimentos que essa junção de drama familiar, biografia de dois grandes artistas e espetáculo de música de qualidade dentro de uma obra audiovisual muito peculiar por esse desafio descomunal que a própria historia que propôs contar proporcionou.

O filme Gonzaga é emoção a flor da pele. Quem é fã de um ou de outro, ou de ambos não tem como não se emocionar. A complexidade de tais personagens, as contradições, os conflitos, os talentos singulares nos envolvem como a sanfona de um e o violão de outro. As diferenças e semelhanças, a construção de mitos e a desconstrução “humanizadora” com os defeitos de um Rei e as mágoas de um Príncipe, entre ausências e erros, a admiração, a arte e a superação.

O triunfo do sertão, a maestria da luta do povo, a sagacidade da cultura popular, a poesia de quem sonha outro mundo, os limites e as possibilidades, perpassadas, transformadas, contrariadas em artistas de tempos e espaços distintos, pai e filho, ao encontro e de encontro por aspectos universais, por cisões materializadas em conflitos singulares, de homens, artistas, pai, filho. O acerto de contas entre eles, dois gênios, aflorou o orgulho que tenho de ambos. A identificação estética e cultural com o pai, a identificação artística e política com o filho e uma confissão minha aqui de ter ficado com um gostinho de poder ter visto mais da trajetória, seus sonhos, suas bandeiras do Gonzaga filho, mesmo que dentro do contexto abordado tais construções tenham contemplado isso também.

O filme está à altura de sua história? Digo com toda certeza que não! Acho até que seria impossível fazer algo próximo de chegar à história tanto de Luiz Gonzaga, como de Gonzaguinha. Tarefa difícil também retratar a amplitude artística de ambos e, por último, uma relação familiar tão intensa e cheia de sentimentos dos mais diversos, mas nada disso tira o brilhantismo da obra, posto que ela chega até onde qualquer um que não seja um dos dois Gonzagas conseguiria chegar. A despeito de alguns clichês e do drama quase constante, gargalhadas aparecem, sorrisos de canto de boca, uma nostalgia bonita, seja da cultura popular tão ataca e massificada hoje em dia, seja pela saudade, pelas saudades dos artistas, do artista que é gente e do artista que é luta.

Não tem como não se emocionar com dois personagens tão incríveis, não tem como não se vê em seus conflitos como pessoas, nem tem como não admirar o sertanejo Seu Januário e ainda não se lembrar do legado dos mesmos e de sua família que ainda hoje canta com suas semelhanças e seus ineditismos tão peculiares e evidentes naquela prole.

Os Gonzagas já me encantavam e me emocionavam, cada um de  sua forma. Vê-los magicamente juntos, conversando, brigando, rindo, chorando e cantando foi estado de graça. Só a arte, só a música e só o cinema para proporcionar isso tudo aqui e agora!

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Fiz



E fiz da luta força
E fiz da terra moça
E fiz da guerra puta
Fiz da labuta louca
E da disputa entrega
E fiz para ser livre

Mas Liberdade
Também tem suas regras

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Quatro horas



Tino e Destino
Se atracam em desatino
Já é dia
E não há sol

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Nós



Não estou falando de sangue
De algo naturalizado
Nem de DNA, nem de tradições
Nem de preces e sermões
Falo de nós

Falo dos elos
Singelos
Apertados em calmaria
Nos desejos paralelos
Em tristezas e alegrias

Não falo da nostalgia
Falo dos sonhos roubados
Dos pecados perdoados
Falo dos aprendizados
Do eterno construir
Sim, falo do passado
Do presente (e do ausente)
Falo do devir

Falo dos nós
No cordão do inesperado
Dos desafios lançados
Do olho do furacão
Do alicerce  testado
Firmando-se em decisão

Falo dessa compaixão
De algo maior que o sangue
Muito mais que sobrenome
Falo do que somos: Nós
Somos juntos e somos sós

Nós
Difíceis de desatar
Tão distintos e tão únicos
Mas com a capacidade de ser
De sermos
Juntos
De sermos muitos
Entrelaçados e abraçados
Sempre atentos, em vigília
Diferentes entre si
E ainda uma Família


Para meus pais Beto e Lídia e meu irmão Pacato 

terça-feira, 4 de setembro de 2012

POETA

Assim
Sagaz

Só Góes



Pequena homenagem do fã aqui  a uma referência, Poeta dos bons: Múcio Góeshttp://www.facebook.com/photo.php?fbid=279187212190520&set=a.108457535930156.15133.100002977317102&type=3&theater