1. Uma gaveta pública cheia de rascunhos. 2. fi.a.po sm (de fio) 1 Fio tênue. 2 pop Quantidade ou porção insignificante... 3."O coletivo de um homem só, falando do nada e pra ninguém..."
terça-feira, 26 de fevereiro de 2013
Escravo
No pó da poesia fico
Quando atrevo, quando travo
Quando resto, quando rastro
Petrifico meu escrito
Ora em sorte, ora em Sartre
Ora em morte, ora em Marte
No só da poesia grito
No nó da poesia minto
Às vezes penso, às vezes passo
Quando não nesse, quando não nasço
No Jó da poesia cisco
No nó da poesia fito
De algumas gosto, de outras gasto
Algumas eu posto, tem outras que pasto
E piso o peso do meu peito vasto
De vez em quando escrevo
De quando em vez escravo
terça-feira, 19 de fevereiro de 2013
Sentidos
Aquela vontade de mudar de rumo
De mudar o prumo
Sem saber aonde chegar
Aquela vontade, aquele desejo
O desassossego
Dos que ainda teimam sonhar
Aquela aquarela vibrando na tela
Fantasia bela
Beleza na mente
Imagem que a gente
Sente com o ouvido
Ouve no sentido
Sonha com o som
Tipo aquelas músicas
Que a gente escuta
Fica triste
E acha bom
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013
Pódio
O Cândido ódio
Do Cântico cálido
No Pálido pódio
O Código plástico
Por puro episódio
O cedro acrobático
Curvou-se aos goles
Nos pastos de certos
Tão Sumos proféticos
De Cismas punidas
E Pura cantigas
Que catam à polis
De Proles antigas
Que fodem e fodem
Em páreas fadigas
E em fúrias nutridas
Fuzilam e morrem
sexta-feira, 18 de janeiro de 2013
Seca

Escorre
Molha timidamente
Mas a terra rachada não o reconhece
O mato moribundo não o reconhece
O ar abafado o despreza
Não há mormaço
Nem nuvens no céu
A água é salgada, pouca
E desce de um olho
Aguando a dor e o desespero
De ser tão
Sertão
quinta-feira, 10 de janeiro de 2013
domingo, 23 de dezembro de 2012
Amém
Do carrasco
Tenho asco
Pego sua língua
Faço Churrasco
Em suas pragas
Eu jogo água
E cheiro o mormaço
De suas preces
Eu dou risada
E fico bem
De sua jornada
Faço piada
E digo amém
segunda-feira, 3 de dezembro de 2012
Quero
Quero uma sopa de letrinhas
Temperada com lirismo
Pra cozinhar os meus versos
Na fogueira das vaidades
Quero embebedar-me de sonhos
Cambalear-me em rimasRessaquear a saudade
Amarga, num fim de tarde
Quero a ebriedade
Para depois vomitar
Tudo aquilo que alucina
E doses dessa verdade
Não quero as frases de defeitos
Nem nossos ditos ditados
Quero que falem os calos
Que calem os falos
E que o doce pós-banquete
Lambuze-me de ousadia
Quero tudo e quero o nada
Beber a noite, comer o dia
E vomitar madrugada
Quero que destilem em meu sangue
Gotas de versos ardentes
Que fermentem em meu espírito
O não-lugar mais bonito
Onde o que reluz é couro
E o que é louro não brilha
Quero a linha do horizonte
Pra costurar meu poema
Vou escrevê-lo com os pés
E recitá-lo com as mãos
sábado, 27 de outubro de 2012
Gonzagas
Como contar a história de dois artistas incríveis, de um pai ex-militar, de um filho de esquerda, de um pai autoritário e ausente, de um filho revoltado e rancoroso? Como contar uma história de homens tão marcantes para a arte desse país?
Quando vi o trailler já me arrepiei com a caracterização do ator que interpretou Gonzaguinha, desde então esperei a estreia desse filme de dois personagens impressionantes. Hoje vi o filme e não me arrependi, fui coberto pela mais intensa chuva de sentimentos que essa junção de drama familiar, biografia de dois grandes artistas e espetáculo de música de qualidade dentro de uma obra audiovisual muito peculiar por esse desafio descomunal que a própria historia que propôs contar proporcionou.
Quando vi o trailler já me arrepiei com a caracterização do ator que interpretou Gonzaguinha, desde então esperei a estreia desse filme de dois personagens impressionantes. Hoje vi o filme e não me arrependi, fui coberto pela mais intensa chuva de sentimentos que essa junção de drama familiar, biografia de dois grandes artistas e espetáculo de música de qualidade dentro de uma obra audiovisual muito peculiar por esse desafio descomunal que a própria historia que propôs contar proporcionou.
O filme Gonzaga é emoção a flor da pele. Quem é fã de um ou de outro, ou de ambos não tem como não se emocionar. A complexidade de tais personagens, as contradições, os conflitos, os talentos singulares nos envolvem como a sanfona de um e o violão de outro. As diferenças e semelhanças, a construção de mitos e a desconstrução “humanizadora” com os defeitos de um Rei e as mágoas de um Príncipe, entre ausências e erros, a admiração, a arte e a superação.
O triunfo do sertão, a maestria da luta do povo, a sagacidade da cultura popular, a poesia de quem sonha outro mundo, os limites e as possibilidades, perpassadas, transformadas, contrariadas em artistas de tempos e espaços distintos, pai e filho, ao encontro e de encontro por aspectos universais, por cisões materializadas em conflitos singulares, de homens, artistas, pai, filho. O acerto de contas entre eles, dois gênios, aflorou o orgulho que tenho de ambos. A identificação estética e cultural com o pai, a identificação artística e política com o filho e uma confissão minha aqui de ter ficado com um gostinho de poder ter visto mais da trajetória, seus sonhos, suas bandeiras do Gonzaga filho, mesmo que dentro do contexto abordado tais construções tenham contemplado isso também.
O filme está à altura de sua história? Digo com toda certeza que não! Acho até que seria impossível fazer algo próximo de chegar à história tanto de Luiz Gonzaga, como de Gonzaguinha. Tarefa difícil também retratar a amplitude artística de ambos e, por último, uma relação familiar tão intensa e cheia de sentimentos dos mais diversos, mas nada disso tira o brilhantismo da obra, posto que ela chega até onde qualquer um que não seja um dos dois Gonzagas conseguiria chegar. A despeito de alguns clichês e do drama quase constante, gargalhadas aparecem, sorrisos de canto de boca, uma nostalgia bonita, seja da cultura popular tão ataca e massificada hoje em dia, seja pela saudade, pelas saudades dos artistas, do artista que é gente e do artista que é luta.
Não tem como não se emocionar com dois personagens tão incríveis, não tem como não se vê em seus conflitos como pessoas, nem tem como não admirar o sertanejo Seu Januário e ainda não se lembrar do legado dos mesmos e de sua família que ainda hoje canta com suas semelhanças e seus ineditismos tão peculiares e evidentes naquela prole.
Os Gonzagas já me encantavam e me emocionavam, cada um de sua forma. Vê-los magicamente juntos, conversando, brigando, rindo, chorando e cantando foi estado de graça. Só a arte, só a música e só o cinema para proporcionar isso tudo aqui e agora!
terça-feira, 23 de outubro de 2012
Fiz
E fiz da luta força
E fiz da terra moça
E fiz da guerra puta
Fiz da labuta louca
Fiz da labuta louca
E da disputa entrega
E fiz para ser livre
Mas Liberdade
Também tem suas
regras
quinta-feira, 4 de outubro de 2012
quarta-feira, 12 de setembro de 2012
Nós
Não estou falando de sangue
De algo naturalizado
Nem de DNA, nem de tradições
Nem de preces e sermões
Falo de nós
Falo dos elos
Singelos
Apertados em calmaria
Nos desejos paralelos
Em tristezas e alegrias
Não falo da nostalgia
Falo dos sonhos roubados
Dos pecados perdoados
Falo dos aprendizados
Do eterno construir
Sim, falo do passado
Do presente (e do ausente)
Falo do devir
Falo dos nós
No cordão do inesperado
Dos desafios lançados
Do olho do furacão
Do alicerce testado
Firmando-se em decisão
Falo dessa compaixão
De algo maior que o sangue
Muito mais que sobrenome
Falo do que somos: Nós
Somos juntos e somos sós
Nós
Difíceis de desatar
Tão distintos e tão únicos
Mas com a capacidade de ser
De sermos
Juntos
De sermos muitos
Entrelaçados e abraçados
Sempre atentos, em vigília
Diferentes entre si
E ainda uma Família
Para meus pais Beto e Lídia e meu irmão Pacato
terça-feira, 4 de setembro de 2012
POETA
Assim
Sagaz
Só Góes
Pequena homenagem do fã aqui a uma referência, Poeta dos bons: Múcio Góeshttp://www.facebook.com/photo.php?fbid=279187212190520&set=a.108457535930156.15133.100002977317102&type=3&theater
terça-feira, 28 de agosto de 2012
A Sina do Histrião
(Essa é a sina
Do histrião
Que usa a risada
Como espada
E Faz piada
Contra opressão)
Amordaçaram
O palhaço louco
Que fazia pouco
Daquele opressor
E torturam,
Rasgaram seu corpo
Só porque ousou
Rir de tanta dor
O espancaram,
Tiraram do palco
O pobre palhaço
Que quis ser bufão
E ele torto
Fingiu-se de morto
E deu um sorriso
De subversão
(Essa é a sina
Do histrião
Que usa a risada
Como espada
E faz piada
Contra opressão)
Conta anedota
Segue a rota
Fazendo chacota
Do grande opressor
Ele é artista
Truão terrorista
Com bomba humorística
Explode o terror
Nosso palhaço
Bobo-da-corte
Xingou o açoite
E pôs-se a sorrir
E no deboche
Curou-se dos cortes
Fez pouco da morte
Resolveu partir
O tal opressor
Não entendeu nada
Como a palhaçada
Não pode acabar
Sendo a piada
A arma ilibada
Que mira na alma
Ao te alvejar
E o palhaço
De ponta-cabeça
Corre, pula e deita
No seu picadeiro
Fazendo pouco
Até ficar rouco
Compondo a vida
Peça sem roteiro:
Dores depois
Amores primeiro
sábado, 25 de agosto de 2012
A Ave de Minerva
Sonhos em vão
Tortos problemas
Bolo de pena
Voa (aparentemente) serena
Ossos e ócios na madrugada
Ela vinha, ela voa
Ateia, à toa
Tarda
Ela vinha, ela voa
Ateia, à toa
Tarda
Enquanto eu fito
Calo e reflito:
Pare com isto
Fogo de palha!
Voe mais alto
E nunca mais fuja
Tu és coruja
Preste atenção
Rasga-mortalha,
Não!
Pare com isto
Fogo de palha!
Voe mais alto
E nunca mais fuja
Tu és coruja
Preste atenção
Rasga-mortalha,
Não!
sexta-feira, 10 de agosto de 2012
Estante
Discos
Com refrãos e firulas
Folhas com rabiscos
(E censuras )
Estiletes e bilhetes
Lembranças boas
(algumas duras)
Berimbelos da Índia
(Pra dar sorte)
Aparelhos e bilotos
Lá do norte
E alguns livros velhos
Cor-de-morte
E que ninguém nunca leu
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