1. Uma gaveta pública cheia de rascunhos. 2. fi.a.po sm (de fio) 1 Fio tênue. 2 pop Quantidade ou porção insignificante... 3."O coletivo de um homem só, falando do nada e pra ninguém..."
sexta-feira, 10 de agosto de 2012
Estante
Discos
Com refrãos e firulas
Folhas com rabiscos
(E censuras )
Estiletes e bilhetes
Lembranças boas
(algumas duras)
Berimbelos da Índia
(Pra dar sorte)
Aparelhos e bilotos
Lá do norte
E alguns livros velhos
Cor-de-morte
E que ninguém nunca leu
segunda-feira, 30 de julho de 2012
Fronte
Quando o antídoto do veneno do cinismo
E o limiar das baionetas da maldade
Se fundamentam em valores e verdades
Não há receio ao bradarmos na disputa
Se nos espera sempre em frente a vil conduta
Que seja a luta nosso norte permanente
Que seja a cor dessa coragem a semente
Para fazer de nossa ação mais forte e viva
Ao colocar nessas feridas os nossos dedos
Pois quando não há mais nenhuma expectativa
Não há medo
sexta-feira, 27 de julho de 2012
O PATO E O PINTO (OU ESQUIZOFRENIA ELEITORAL GRATUITA)
Havia um pato faminto
Havia um pinto gaiato
O pato pacato
O pinto sucinto
Viviam brigando
No labirinto
Pato e pinto
Tão concorrentes
Quanto distintos
Pinto e pato
Feito cão
Feito gato
Dando patadas
Dando pintadas
No abstrato
E assim deu-se o ato:
O pinto bicou o pato
O pato bateu no pinto
O pato pintou o pinto
E pinto pagou o pato
Até que o Pinto disse:
- Não minto!
E o Pato lhe retrucou:
- Não mato!
E o Pinto junto do Pato
Por um mandato
E o Pato junto do Pinto
Contrato extinto
Gritaram: - Sinto muito! Muito sinto!
Pinto e pato
Caminharam em ultimato
Dentro daquele recinto
Para o fim
Para o prato
Pato e pinto
Tão contentes
Quanto indistintos
Pinto e pato
Feito chão
Feito ratos
Dando patadas
Dando pintadas
No abstrato
Pato e Pinto
Amando-se no labirinto
Pinto e pato
Cozidos, casados
Traídos, tratados
Carrapichos, carrapatos
Famintos, gaiatos
Tristes fatos
quarta-feira, 25 de julho de 2012
segunda-feira, 9 de julho de 2012
Sinal
Mente correndo
Corpo parado
Copo quebrado
Dentro do Carro
Tosse e escarro
Me acabo
Em catarro
Em cubo
Não caibo
Em foda
Enfado
Em moda
O Mundo mudo
Roda
Engarrafado
Corro
Paro
Acelero
Disparo
- Corra! -
Tolero!
- Porra! -
Espero
O freio
O fim
O inicio
O meio
Tenho morrido mais a cada dia
sábado, 7 de julho de 2012
Arte
Feito de sangue e de versos
De ritmo e de feridas
De metáforas, de crimes e de lágrimas
De lamentos poéticos perfeitos
E desse ar rarefeito
Como é lindo o teu sofrer!
quinta-feira, 5 de julho de 2012
Clichê
Dia e noite
Eles andaram
Eles amaram
Eles choraram
Noite e dia
Eles rimaram
Paixão com coração
Tédio com remédio
Amor com dor
Samba com bamba
E o poema
Antes no cio
Ficou
Vazio
quinta-feira, 28 de junho de 2012
Para Luan
Vejo esse céu mais azul
Vejo essas nuvens mais brancas
Sinto o sangue mais vermelho
Olho-me no espelho
E vejo você
Reflexo da ousadia
Com o olhar de verso e rima
Espalhando alegria
E vontade de vencer
Vejo você em cores
Em dores
E amores
Como acreditar no fim?
Como não te ver em mim?
Posto que és coração
Como não te ter em mim?
Se tudo parece sonho
Nessa batalha da vida
De aguerridos poetas
De charangas e charadas
E vibrações tão discretas
Como não lembrar de ti?
Sonhador inveterado
Aguerrido, obstinado
A vencer qualquer partida
Vencedor do invencível
Ousando ser um menino
Que riu da sobrevivência
Que driblou o desatino
No jogo da existência
E sabendo dessa essência
E que estás presente aqui
Não posso crer nesse fim
Pois viverás nos meus gritos
Nos alegres e nos aflitos
Como forte inspiração
No amor compartilhado
E nesse jogo jogado
Posto que és coração
Em seu sonho inacabado
Só desejo que recebas
O abraço tão leal
De quem vibrou na torcida
Até a sua partida
E o apito final
Vejo esse céu mais azul
Vejo essas nuvens mais brancas
Sinto o sangue mais vermelho
Olho-me no espelho
E vejo você
Vejo alegria e tristeza
Vejo sonhos e certezas
Vejo reflexo de força
Vejo Luan: Fortaleza
segunda-feira, 18 de junho de 2012
Prólogo
E quando me faltar força
Sobrará coragem
Quando me faltar ideia
Sobrarão meus ideais
Quando me faltar água
Sobrará sede de justiça
Quando me faltar alegria
Sobrará minha utopia
E quando faltar a noite
Sobrarão Dias
E em cada tiro de maldade seu
Atirarei um verso de verdade meu
Um verso que componho
Do fruto de minhas sobras
De minhas obras
Daqueles sonhos
Versos bélicos
Para alvejar-te sem dó
terça-feira, 22 de maio de 2012
Silêncio
Não me pergunte sobre meu dia
Sobre esse trêmulo sol que me queima
Com o capricho agonizante
De quem já não teima em sonhar
Não me pergunte sobre minha noite
Obscura e em claro
Sobre meu peito rasgado
Por minha voz que calei
Pergunte-me sobre esse silêncio
Posto que é semente
Plantada por outros
Regada conosco
No centro de meu jardim
Pergunte-me sobre o silêncio
Um verso torto
Morto
Escorraçado
Cavalo alado
Que voa em mim
Esse silêncio é fiapo
Trapo de rima
Dependurado
Num fio cortado
Na estrofe do fim
É passado e é devir
Máscara de dor
Que eleva o medo
E sucumbe o desejo
De quem queria um abraço
E não precisa pedir
O silêncio é desamor
Palavra não dita
Que quer perdão
Seria consolação
Se pudesse ser quebrado
Pois tudo que quer és tu
Ao lado
Com olhos de aceitação
Esse silêncio é um grito
Aflito
Talvez em vão
Talvez
Não
Sobre esse trêmulo sol que me queima
Com o capricho agonizante
De quem já não teima em sonhar
Não me pergunte sobre minha noite
Obscura e em claro
Sobre meu peito rasgado
Por minha voz que calei
Pergunte-me sobre esse silêncio
Posto que é semente
Plantada por outros
Regada conosco
No centro de meu jardim
Pergunte-me sobre o silêncio
Um verso torto
Morto
Escorraçado
Cavalo alado
Que voa em mim
Esse silêncio é fiapo
Trapo de rima
Dependurado
Num fio cortado
Na estrofe do fim
É passado e é devir
Máscara de dor
Que eleva o medo
E sucumbe o desejo
De quem queria um abraço
E não precisa pedir
O silêncio é desamor
Palavra não dita
Que quer perdão
Seria consolação
Se pudesse ser quebrado
Pois tudo que quer és tu
Ao lado
Com olhos de aceitação
Esse silêncio é um grito
Aflito
Talvez em vão
Talvez
Não
segunda-feira, 30 de abril de 2012
Finito
Odeio o ponto
Odeio aquilo que me encanta
E é o humano
Odeio aquilo que desaba
Que acaba
É leviano
Odeio o verso
Odeio aquilo que seduz
Que é cruz
E é profano
Odeio o que é belo
E vai embora
Odeio o que é rima
E chora
Odeio aquilo que me excita
E me despreza
A qualquer hora
Odeio aquilo que reza
Que preza
Não por mim
Mas por Nossa (Senhora)
Odeio aquilo que é humano
E berra
E erra
E é demais
Odeio aquilo que é humano
Que é fulano
E se desfaz
Odeio aquilo que é humano
mas é divino
Odeio primeiro
e primo
o tiro
certeiro
do todo
da parte
daquilo
que chora
que vem
que vai
embora
na arte
Sim
Odeio não
Odeio aquilo que é humano
Que é engano
Que é assim
Sim
Odeio o ponto
O pronto
A base
A frase
O fim
Wescley
terça-feira, 24 de abril de 2012
Trabalho
Penso em versos
Fantasio
Quase crio
Quase
um rio
de palavras
Se derrama
em alvoroço
em alvoroço
Mas não:
Fim do horário de almoço
quarta-feira, 18 de abril de 2012
Quarta-feira
Restam cinzas e lembranças
Desses dias que vivi
Pro pecado fui afoite
Fui lua daquela noite
Fui pesadelo e açoite
Que sofri e que sorri
Fantasiei-me de espelho
Fui saudade da minha rua
Fui a minha carne crua
Pronta pra queimar ao sol
Fui um peixe no anzol
E isca da alegria
E dose de nostalgia
Jogador de Futebol
Fui palhaço e feiticeiro
Fui um gole de cerveja
Fui um bolo de cereja
Que sozinho engoli
Restam cinzas e lembranças
Desses dias que vivi
Fui a cozinha do medo
Fui o tempero da vida
Adocei minha ferida
Na panela do segredo
Para os sonhos fiz a massa
Com as mãos do sentimento
Das dores fiz o fermento
Da força fiz minha graça
Esquentei-me com o abraço
E servir-me de ilusões
Fiz piada de sermões
E jantei o meu compasso
Fui a canção que ouvi
Fui teatro abandonado
Fui verso despedaçado
No poema que escrevi
Restou cinzas e lembranças
Desses dias que vivi
Wescley
segunda-feira, 2 de abril de 2012
Fértil-mente
Minha abeça não para
Dispara
E não me deixa viver
Minha cabeça é gelada
Minha cabeça vê
O espetáculo
O obstáculo
Teatro menino
Teatro menino
Onde o tino e o destino
Se atracam em desatino
E em vão
Se atracam
Buscando abraçar
O meu mundo com as mãos
Assisto
Na minha cabeça eu crio
Na minha cabeça eu crio
Enquanto tremo de medo
e frio
Á fio
e frio
Á fio
No teatro de minha cabeça
Nesse ato pequenino
Suvino
Eles (tino e destino)
Estrebucham
E murcham
Alucinam tentativas
Onde sonho e pesadelo
Fotografia e espelho
Problema e solução
se abraçam (também)
em vão
(Não!)
Se agarram
Passeiam pelo vagão
No trem de uma estação
Das flores
das dores
Das flores
das dores
Outono ou
Verão
E vocês verão
Tanto o tino
como o destino
Sofrem
Sofrem
Em minha cabeça
Que (agora) voa
Numa boa
E eu no meio deles
Daquele tino tão sujo
E do destino confuso
Fujo
Vou, mas volto
Antes do inverno chegar
quinta-feira, 22 de março de 2012
Ruminante
Tenho fome
Sinto falta do ar e do mar
Sinto falta da sede
De amar
A vida me sufoca
Me soca
Pede gana
Pede grana
Escana
E eu aqui sem ar
Não paro de pensar:
Tenho fome
Grito!
Peço socorro!
Corro
Caio e perco
Esse todo
Sem nome
Que me faz
Nada mais
Que ter fome
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